Os veículos totalmente elétricos devem dominar o mercado automotivo da China até 2040, segundo projeção apresentada por Ouyang Minggao, professor da Universidade Tsinghua. A avaliação foi feita durante o Fórum de Desenvolvimento de Veículos Elétricos Inteligentes, realizado entre 11 de abril e 12 de abril em Pequim.
De acordo com o especialista, modelos híbridos plug-in e veículos elétricos de longo alcance já entraram em trajetória de queda. A principal razão é a eficiência energética superior dos veículos totalmente elétricos, que utilizam melhor a eletricidade de fontes renováveis.
Segundo Ouyang, a eficiência dos veículos elétricos é o dobro da observada em modelos movidos a hidrogênio e até quatro vezes maior que a de veículos com combustíveis sintéticos. Esse fator, na visão do pesquisador, torna inevitável a predominância da tecnologia elétrica pura.
As projeções indicam uma mudança acelerada no mercado. Até 2030, os veículos eletrificados devem representar mais de 70% das vendas de automóveis de passeio na China, com proporção de 70% elétricos e 30% híbridos plug-in.
Em 2035, a participação deve superar 80%, com divisão de 80% para elétricos e 20% para híbridos. Já em 2040, os elétricos devem alcançar cerca de 90% do mercado, consolidando domínio praticamente absoluto.
O especialista também fez um alerta sobre o entusiasmo com baterias de estado sólido. Apesar do potencial, ele destacou que a tecnologia ainda enfrenta desafios técnicos importantes, como estabilidade química e térmica. A expectativa é que baterias com densidade de 300 Wh/kg cheguem ao mercado por volta de 2030, mas com necessidade de cautela no lançamento comercial.
A China lidera esse desenvolvimento, concentrando 44% dos novos pedidos de patentes na área. A produção de eletrólitos também cresceu, com capacidade superior a 20.000 toneladas e forte redução de custos.
Na área de segurança, o professor destacou avanços importantes ao longo dos anos. Em 2014, baterias mais instáveis foram restringidas em ônibus. Em 2020, a BYD lançou a bateria Blade, que consolidou o uso de tecnologias mais seguras em veículos de passeio. Novas normas devem exigir que baterias não apresentem combustão ou explosão.
O estudo também aponta mudanças estruturais na indústria automotiva chinesa, com novos modelos de negócios baseados em integração tecnológica, digitalização e expansão global.
No segmento de veículos comerciais, a expectativa é que modelos eletrificados ultrapassem 50% de participação até 2030, chegando a mais de 70% em 2040.
O número total de veículos eletrificados em circulação pode atingir entre 300 milhões e 380 milhões até 2040. Paralelamente, o uso de energia renovável deve superar 65%, reforçando o papel dos veículos elétricos na transição energética.
Para Ouyang Minggao, esse cenário marca a transformação definitiva da indústria automotiva chinesa, que deixará de ser apenas grande em volume para se tornar líder global em tecnologia.

0 Comentários