Escassez de lítio pode impactar preço de veículos elétricos

A demanda global por lítio pode ultrapassar 13 milhões de toneladas até 2050 caso a transição energética avance rapidamente. A estimativa faz parte de um recente relatório da consultoria Wood Mackenzie, que alerta para possíveis déficits de oferta já a partir de 2028.


Segundo Allan Pedersen, diretor de pesquisa da Wood Mackenzie, o mercado pode enfrentar uma escassez significativa mais cedo do que muitos participantes da indústria esperam. De acordo com o estudo, cenários climáticos mais ambiciosos indicam que a falta de oferta pode surgir já no final da década.

O levantamento analisou quatro possíveis trajetórias de transição energética global. Dependendo da velocidade da eletrificação, a demanda por lítio em 2050 pode variar entre 5.6 milhões e 13.2 milhões de toneladas equivalentes de carbonato de lítio.

No cenário de transição energética mais lenta, o mercado permaneceria equilibrado até aproximadamente 2037 antes de apresentar déficits. No cenário considerado base, projetos atuais ainda conseguem atender a demanda no curto prazo, mas a oferta começa a se tornar insuficiente em meados da década de 2030.

Em um cenário baseado nas metas climáticas anunciadas por diferentes países, a escassez pode começar por volta de 2029. Nesse caso, seriam necessárias cerca de 6.7 milhões de toneladas adicionais de carbonato de lítio até 2050.

Já no cenário mais ambicioso, alinhado com metas de neutralidade de carbono, o déficit começaria em 2028 e continuaria crescendo até meados do século. Para atender à demanda global, seriam necessárias cerca de 8.5 milhões de toneladas adicionais de lítio até 2050.

Os veículos elétricos são o principal motor desse crescimento. Dependendo do cenário, eles devem responder por 72% a 80% da demanda total de lítio. Em um cenário de compromissos climáticos nacionais, os veículos elétricos podem representar cerca de 75% das vendas globais de automóveis até 2040. Já em um cenário de neutralidade de carbono, essa participação pode chegar a 95%.

Além do setor automotivo, os sistemas de armazenamento de energia também contribuem para o aumento da demanda. Com a expansão de fontes renováveis na geração de eletricidade, redes elétricas precisam de grandes baterias para equilibrar oferta e consumo. A Wood Mackenzie projeta crescimento anual de 6% a 7% nesse segmento.

A reciclagem de baterias tende a ganhar importância ao longo das próximas décadas, mas não deve resolver o problema de curto prazo. A oferta proveniente da reciclagem deve crescer entre 13% e 16% ao ano, principalmente a partir da década de 2040, quando as primeiras baterias de veículos elétricos chegarem ao fim de sua vida útil.

Até 2050, a reciclagem poderá fornecer entre 2.3 milhões e 2.7 milhões de toneladas equivalentes de carbonato de lítio em cenários de transição energética mais acelerada.

Mesmo com esse avanço, o déficit de oferta permaneceria significativo. No cenário baseado nas metas climáticas dos países, a lacuna pode chegar a 6.7 milhões de toneladas até 2050. No cenário de neutralidade de carbono, o déficit pode alcançar 8.5 milhões de toneladas.

Para reduzir essa diferença entre oferta e demanda, serão necessários investimentos massivos em mineração, refino e cadeias de suprimento regionais. A Wood Mackenzie estima que os investimentos globais necessários variem entre US$ 104 bilhões e US$ 276 bilhões, dependendo do ritmo da transição energética.

Os aportes financeiros devem atingir o pico entre 2030 e 2034, período em que novos projetos de mineração e infraestrutura industrial devem ser desenvolvidos para atender à crescente demanda.

O estudo conclui que, independentemente do cenário de transição energética adotado, a procura por lítio deve superar os planos atuais de oferta. A principal dúvida agora é se a indústria conseguirá expandir investimentos e produção com rapidez suficiente para acompanhar o crescimento do mercado de baterias.

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