A Mercedes-Benz prepara uma mudança significativa em sua estratégia de desenvolvimento de veículos elétricos. A fabricante alemã anunciou que trabalhará em parceria com a empresa chinesa Geely para criar uma nova plataforma destinada à próxima geração de veículos elétricos compactos da marca.
O projeto é conhecido internamente pelo codinome Phoenix e será a base de futuros modelos globais da fabricante. Pela primeira vez na história da empresa, o desenvolvimento de uma arquitetura automotiva mundial não será liderado exclusivamente pela engenharia localizada na Alemanha.
A nova plataforma utilizará a arquitetura eletrônica e elétrica GEEA 4.0 desenvolvida pela Geely. Esse sistema funciona como o “cérebro” do veículo, controlando diversos componentes, desde o gerenciamento da bateria até os sistemas multimídia e de conectividade.
Segundo executivos da Mercedes-Benz, a parceria permitirá reduzir custos de desenvolvimento e produção de veículos elétricos, segmento que exige investimentos elevados.
Durante o processo de avaliação, engenheiros da Mercedes-Benz visitaram centros de pesquisa da Geely na China e analisaram detalhadamente os veículos da empresa chinesa para entender seus processos de engenharia e fabricação.
A conclusão foi que as soluções adotadas pela Geely poderiam ajudar a Mercedes-Benz a reduzir custos e aumentar a rentabilidade sem comprometer o padrão de qualidade esperado de seus veículos.
O projeto Phoenix também marca uma mudança organizacional dentro da fabricante alemã. O centro de pesquisa e desenvolvimento da Mercedes-Benz na China, localizado em Pequim, passará a liderar globalmente o desenvolvimento de veículos compactos da marca.
A unidade conta com cerca de 2.000 funcionários e será responsável por coordenar o design e a engenharia dos novos modelos.
A nova arquitetura será utilizada em diversos veículos futuros da Mercedes-Benz, incluindo sucessores do Classe A, Classe B e da próxima geração do CLA.
A previsão da empresa é iniciar a produção em larga escala desses modelos até 2030. Os veículos serão vendidos globalmente, e não apenas no mercado chinês.
A decisão também reflete o cenário cada vez mais competitivo do mercado automotivo na China, atualmente um dos maiores centros de inovação em veículos elétricos do mundo.
Fabricantes locais como Nio e Aito vêm ampliando rapidamente sua presença no segmento premium de veículos elétricos, aumentando a concorrência para marcas estrangeiras.
Em 2025, as vendas da Mercedes-Benz no mercado chinês caíram 19%, atingindo aproximadamente 550.000 unidades. O número é semelhante ao registrado pela marca há cerca de dez anos, indicando estagnação no crescimento.
Ao utilizar tecnologia, engenharia e cadeias de fornecimento chinesas, a Mercedes-Benz espera recuperar competitividade nesse mercado estratégico.
A parceria com a Geely também faz parte de uma tendência mais ampla na indústria automotiva global. Outras montadoras já adotaram estratégias semelhantes para acelerar o desenvolvimento de veículos elétricos.
A Volkswagen firmou parceria tecnológica com a XPeng, enquanto o grupo Stellantis investiu na fabricante chinesa Leapmotor.
Essas alianças refletem o avanço da indústria chinesa no desenvolvimento de baterias, software automotivo e tecnologias de eletrificação.
Apesar da cooperação com empresas chinesas, a Mercedes-Benz afirma que continuará mantendo a identidade tradicional de seus veículos.
Segundo a empresa, os futuros modelos buscarão combinar design e engenharia alemães com tecnologias digitais e soluções industriais desenvolvidas na China. O resultado dessa estratégia deverá se tornar mais claro quando os primeiros modelos baseados na plataforma Phoenix chegarem ao mercado até 2030.

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