Um tribunal da China iniciou um julgamento de grande repercussão envolvendo um criador de conteúdo automotivo acusado de prejudicar a reputação de um produto por meio de um teste de colisão controverso. A audiência ocorreu em 6 de fevereiro, no Tribunal Popular do Distrito de Haidian, em Pequim, e terminou sem a divulgação de um veredito.
Segundo a imprensa chinesa, o réu, identificado como Gao, responde pela acusação de dano à reputação comercial. O julgamento durou mais de três horas, com debates entre acusação e defesa sobre os fatos descritos na denúncia. Gao se declarou inocente, enquanto seus advogados pediram absolvição.
De acordo com os promotores, entre 22 de julho e 12 de agosto de 2024, Gao organizou e gravou um teste de colisão frontal envolvendo o Xiaomi SU7 e um veículo de outra marca, posteriormente identificado como o Zeekr 007. As investigações apontam que o criador de conteúdo teria ocultado o fato de que o cabo de alimentação da bateria auxiliar do SU7 foi desconectado manualmente antes do impacto.
A acusação também afirma que imagens consideradas enganosas foram usadas para descrever supostos danos à bateria. Além disso, Gao teria declarado, sem comprovação técnica, que o sistema de chamada de emergência do SU7 não funcionou após a colisão, o que foi classificado como divulgação de informação falsa.
O vídeo foi publicado em 13 de agosto de 2024 na plataforma Bilibili. Para o Ministério Público, o conteúdo causou danos relevantes à imagem dos produtos automotivos da Xiaomi. Relatos anteriores indicam que o teste foi realizado a cerca de 60km/h, com alto grau de sobreposição frontal, e sugeria diferenças no comportamento dos veículos após o impacto.
Gao foi detido pela polícia em 27 de novembro de 2024, sob suspeita de dano à reputação comercial, e teve a prisão formalizada em 3 de janeiro de 2025. A denúncia criminal foi apresentada posteriormente, em setembro de 2025. Em manifestações anteriores, a Xiaomi classificou o teste como pouco rigoroso, com registros incompletos e conclusões não confiáveis.
O departamento jurídico da Zeekr informou, ainda em agosto de 2024, que não colaborou com testes desse tipo e que se reservava o direito de adotar medidas legais diante da divulgação de informações falsas.
Autoridades chinesas também vêm usando casos semelhantes como exemplo em ações mais amplas contra conteúdos automotivos considerados enganosos. Diversos perfis já foram punidos por divulgar dados de testes de forma seletiva ou por apresentar conclusões vistas como distorcidas.
O processo segue em andamento e aguarda decisão judicial após a audiência realizada em Pequim.

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