Ford negocia parceria com chineses para produzir elétricos nos EUA

A Ford pode estar prestes a dar um passo histórico no mercado automotivo norte-americano. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o CEO da montadora, Jim Farley, discutiu com integrantes da administração de Donald Trump a possibilidade de permitir que fabricantes chinesas de veículos elétricos formem parcerias com marcas dos Estados Unidos para produzir carros em solo americano.


A proposta, ainda em estágio inicial, prevê joint ventures entre montadoras norte-americanas e empresas chinesas. O modelo incluiria compartilhamento de tecnologia e divisão de lucros, com produção local e contratação de trabalhadores dos Estados Unidos.

Caso avance, a medida representaria uma mudança significativa na política comercial do país, que nos últimos anos impôs tarifas elevadas sobre veículos chineses e discutiu restrições adicionais por questões de segurança nacional.

Farley teria abordado o tema com o representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, com o secretário de Transportes, Sean Duffy, e com o administrador da Agência de Proteção Ambiental, Lee Zeldin, durante o Salão de Detroit no mês passado.

A movimentação ocorre em meio ao avanço acelerado da China no setor de veículos elétricos. Apenas no quarto trimestre de 2025, quase 3 milhões de veículos elétricos a bateria foram registrados no país asiático, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado global, as vendas superaram pela primeira vez a marca de 4 milhões de unidades em um único trimestre.

Não por acaso, montadoras globais como Volkswagen, Toyota, Kia, Stellantis e a própria Ford vêm buscando alianças com fabricantes chinesas para manter competitividade internacional.

Nos Estados Unidos, porém, a resistência política ainda é forte. A General Motors teria informado à administração que não apoia a entrada de marcas chinesas no mercado local. Autoridades também alertam para riscos estratégicos e impactos na cadeia de suprimentos da América do Norte.

Mesmo assim, o cenário pode mudar. No mês passado, Trump declarou que permitiria a entrada de empresas chinesas desde que construíssem fábricas nos Estados Unidos e empregassem trabalhadores locais. O presidente norte-americano deve se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, no próximo mês, o que pode influenciar o rumo das negociações.

Enquanto o debate avança, a Ford já mantém conversas com fabricantes chinesas como BYD e Geely. Um eventual acordo com a BYD envolveria a compra de baterias para veículos híbridos fora dos Estados Unidos. Já uma parceria com a Geely poderia incluir uso de fábricas subutilizadas na Europa e intercâmbio tecnológico.

No próprio mercado norte-americano, a Ford prepara a produção de baterias de fosfato de ferro-lítio ainda este ano em sua nova planta no estado de Michigan, utilizando tecnologia licenciada da CATL. Essas baterias irão equipar uma nova picape elétrica de porte médio prevista para 2027, com preço estimado em cerca de 30.000 dólares e custo de propriedade inferior ao de um Tesla Model Y.

O pano de fundo é a crescente pressão competitiva. Em 2025, a BYD vendeu mais de 4,6 milhões de veículos eletrificados no mundo, superando pela primeira vez as vendas globais da Ford, que ficaram pouco abaixo de 4,4 milhões de unidades.

Com as montadoras norte-americanas perdendo espaço na corrida global pela eletrificação, uma aliança com empresas chinesas pode ser vista como estratégica. Resta saber se Washington estará disposto a autorizar uma mudança que pode redefinir o equilíbrio do setor automotivo nos Estados Unidos.

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