Um desafio de subida extrema na China terminou em incidente no dia 12 de novembro: o Fulwin X3L, novo utilitário esportivo da Chery, perdeu tração no meio da escadaria, deslizou de ré e só parou após bater contra o guarda-corpo.
Na madrugada de 13 de novembro, a Chery divulgou nota de desculpas. Segundo a montadora, a causa direta foi uma falha inesperada em ponto de ancoragem, o que fez uma corda de segurança enroscar na roda direita e cortar a entrega de potência.
O caso viralizou em redes sociais, reacendendo o debate: “Qual a utilidade de subir escadas? Testes deveriam ocorrer em campos de prova, não em área cênica”, criticaram usuários.
A escadaria de Tianmen tem quase 300 m de extensão, desnível de 150 m e 999 degraus; a inclinação média é de 45° (com trechos acima de 60°) – um cenário extremo.
A ação fazia parte de um plano de marketing de desempenho desde setembro. Em setembro, um executivo da Chery já havia antecipado o desafio, citando rampas de 20° a 45° e altas exigências de controle de potência, conjunto mecânico e tração nas quatro rodas.
Para o engenheiro automotivo Cong Jie, o teste expôs três fragilidades:
- Suavidade da entrega de torque em rampas extremas;
- Leitura de pista em tempo real via fusão de múltiplos sensores;
- Limites de cooperação humano-veículo, isto é, o gerenciamento de quem decide e quando.
A análise técnica destacou o piso escorregadio e os impactos de alta frequência (cada degrau tem cerca de 15 cm), combinação que derruba a aderência. Mesmo com suspensão de amortecimento variável e braço traseiro de alumínio fundido, o deslocamento do centro de gravidade em ângulos extremos pode ultrapassar limites físicos.
Apesar do motor com extensor de autonomia (um motor a combustão que gera energia para o sistema elétrico) e do slogan de “capacidade de subida de 100%” (equivalente a 45°), a resposta da tração integral e a aderência dos pneus mostraram limitações diante de degraus molhados e inclinações severas.
O mercado reagiu no dia seguinte ao incidente: após leve alta na abertura, as ações da Chery em Hong Kong fecharam com uma queda de 2,17%.

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