Uma mulher do Estado do Texas, nos Estados Unidos, entrou com um processo contra a Tesla pedindo indenização superior a US$1 milhão após um acidente envolvendo um Cybertruck equipado com sistema de assistência ao motorista. Segundo a ação judicial, o utilitário elétrico tentou seguir em linha reta em um viaduto em Houston enquanto operava com o sistema Autopilot ativado, colidindo contra uma barreira de concreto.
O processo foi registrado no Tribunal Distrital do Condado de Harris e adiciona mais um capítulo à crescente lista de disputas judiciais relacionadas às tecnologias de condução assistida da montadora.
De acordo com os documentos analisados pela imprensa norte-americana, a autora da ação, Justine Saint Amour, comprou um Cybertruck usado em fevereiro de 2025 em uma concessionária na Flórida. O veículo incluía o pacote de direção assistida chamado direção totalmente autônoma.
O acidente ocorreu em 18 de agosto de 2025 na rodovia 69 Eastex Freeway, em Houston. Segundo a petição apresentada ao tribunal, o veículo seguia com o sistema ativado quando se aproximou de uma bifurcação em formato de Y perto do estacionamento 256 Eastex Park and Ride.
Nesse ponto, o veículo deveria acompanhar a curva à direita. No entanto, de acordo com o processo, o Cybertruck tentou seguir em linha reta em direção a uma barreira de concreto localizada na extremidade do viaduto, com a rodovia abaixo.
A motorista afirma ter desativado o sistema de assistência e assumido o volante manualmente, mas não conseguiu evitar a colisão.
Além das alegações comuns de defeito de produto e negligência, o processo apresenta uma acusação incomum. Entre as 16 alegações listadas na ação, os advogados afirmam que a Tesla teria sido negligente ao contratar e manter Elon Musk como diretor executivo da empresa.
Segundo o documento, Musk teria influência direta em decisões de design dos produtos e teria ignorado recomendações de engenheiros da empresa relacionadas à segurança dos sistemas de assistência ao motorista.
A ação afirma que engenheiros da Tesla teriam sugerido a inclusão de sensores adicionais, como radar e LiDAR, tecnologia baseada em laser utilizada por concorrentes como a Waymo para aumentar a segurança dos sistemas de condução assistida.
No entanto, segundo o processo, Musk teria rejeitado a adoção dessas tecnologias e optado por um sistema baseado apenas em câmeras, decisão que moldou a estratégia da empresa para condução automatizada.
Os advogados também descrevem Musk na ação como um vendedor agressivo que teria prometido mais recursos do que os sistemas realmente entregam.
O processo ainda inclui acusações de defeito de projeto e marketing enganoso. Segundo a autora, o Cybertruck e o sistema de direção totalmente autônoma seriam “defeituosos e perigosos” por não incluírem monitoramento adequado do motorista, sensores LiDAR ou frenagem automática de emergência eficaz.
A ação também questiona o uso do termo direção totalmente autônoma para descrever o sistema. De acordo com os padrões da Sociedade de Engenheiros Automotivos, a tecnologia da Tesla se enquadra no nível 2 de automação, o que exige supervisão constante do motorista.
Em comparação, alguns concorrentes já oferecem sistemas de nível 3 certificados, que permitem ao veículo assumir temporariamente o controle total da condução sob determinadas condições.
O caso surge em um momento delicado para os sistemas de assistência ao motorista da Tesla. A Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos investiga atualmente 2,88 milhões de veículos da marca equipados com o sistema de direção assistida.
Segundo a agência, pelo menos 58 incidentes já foram associados ao funcionamento da tecnologia, incluindo casos em que veículos entraram em pistas contrárias ou avançaram em cruzamentos inadequados.
A Tesla também enfrenta críticas relacionadas ao desempenho de seu programa de robotáxis em testes na cidade de Austin, onde registros apontam taxa de acidentes aproximadamente quatro vezes maior que a média humana.
No processo, a autora pede indenização superior a US$1 milhão, além de possíveis danos punitivos previstos pela legislação do Texas. O caso está sendo conduzido pelo escritório Hilliard Law, sediado na cidade de Corpus Christi.

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