Um teste da Chery na Montanha Tianmen, na chamada Escadaria do Céu, terminou mal em 12 de novembro: um Fulwin X3L escorregou nos degraus íngremes, colidiu e danificou a grade de proteção. Vídeos feitos por visitantes viralizaram e reacenderam o debate sobre segurança e o uso de áreas turísticas para ações promocionais.
Segundo testemunhas, o carro falhou na subida e deslizou de ré, rompendo parte da grade. Um guia local informou que a escadaria ficou fechada aos turistas nos dias 12 e 13 para a realização do evento; quem visitou a atração precisou usar a escada rolante que atravessa a montanha.
Assista ao vídeo na íntegra:
A Escadaria do Céu é um cartão-postal de Tianmen: 999 degraus ao longo de quase trezentos metros, com cento e cinquenta metros de desnível. As condições são desafiadoras: degraus estreitos e molhados de trinta centímetros, inclinação média de quarenta e cinco graus (trechos acima de sessenta graus), um percurso que raramente é tentado até por veículos fora de estrada importados.
O Fulwin X3L — modelo da submarca Fulwin, lançado em 18 de setembro de 2025 — foi o escolhido para o desafio. Em 21 de setembro, um vice-presidente executivo da Chery já havia admitido, em rede social chinesa, que a prova exigiria muito de potência, controle dinâmico e tração nas quatro rodas (sistema que distribui torque entre os eixos para manter a aderência em baixa velocidade e rampas íngremes).
Em nota divulgada em 13 de novembro, a Chery pediu desculpas pelo “imprevisto” e apontou a causa direta: o desprendimento inesperado de um manilhão no ponto de ancoragem da corda de segurança do dispositivo de teste. A corda teria se enroscado na roda direita, limitando a entrega de força e provocando o deslizamento até a colisão com a grade. A montadora afirmou que ninguém se feriu e que não houve dano ambiental.
A empresa reconheceu “subestimação de riscos e falhas de controle de detalhes” no planejamento e na execução, especialmente por escolher um ponto turístico público para a atividade. A Chery se comprometeu a restaurar a estrutura danificada e assumir integralmente os custos de reparo e compensações.
O episódio reforça a necessidade de protocolos de segurança independentes, redundâncias e simulações realistas quando fabricantes levam demonstrações em condições extremas a locais de grande circulação de pessoas. Para a Chery, além do conserto, fica o desafio de reconstruir a percepção de segurança em ações futuras.

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