Tesla produz Cybercabs que não dirigem sozinhos

A Tesla está aumentando a produção do seu novo modelo chamado Cybercab em sua fábrica no Estado do Texas. Mais de 100 unidades do veículo de dois lugares sem volante já foram vistas nos pátios da montadora. O grande problema é que a empresa não pode vender o carro para você e ele ainda não consegue dirigir sozinho sem a supervisão atenta de um humano.


Isso levanta a dúvida clara sobre o motivo de a Tesla estar fabricando este veículo neste exato momento. O Cybercab não possui volante e não tem pedais. Ele foi construído apenas para ser um táxi robô e não um carro de uso pessoal. A primeira unidade saiu da linha de montagem no mês de fevereiro e a produção contínua foi confirmada no mês de abril.

A fabricação dos carros está acontecendo agora de forma intensa. A montadora projetou o carro para certificar a sua segurança de forma automática, o que permite escapar do limite anual de 2.500 unidades isentas imposto pelas autoridades americanas. O que não está acontecendo é a única coisa que tornaria um carro sem volante algo útil para a sociedade: a autonomia sem supervisão em grande escala.

A montadora é ótima em fabricar veículos e melhorar as suas fábricas. No entanto, ela ainda não consegue fazer com que os carros dirijam sozinhos com segurança sem uma pessoa sentada no banco.

O grande gargalo do projeto é o sistema de direção totalmente autônoma. A própria empresa admite que precisa refazer o sistema do zero antes de ampliar o serviço para mais lugares. Fabricar mais carros não muda essa realidade e os novos Cybercabs vão ficar parados esperando o programa de computador ficar pronto.

Após 12 meses do lançamento do serviço de táxi robô na cidade de Austin, a frota da empresa continua muito pequena. Autoridades locais estimam que existam cerca de 50 carros operando na região. A parcela de veículos que rodam totalmente sem motorista é ainda menor. Registros mostram que a frota autônoma diminuiu, caindo de 25 carros para cerca de 14 veículos ativos.

A empresa ampliou a área de atuação no Texas e mapeou uma pequena parte da cidade de Miami. Porém, operar com apenas 20 carros espalhados não ajudou muito os passageiros no dia a dia.

O diretor executivo disse aos investidores que a validação de segurança é o fator que de fato limita a expansão. A Tesla está segurando o projeto até que a versão 15 do seu sistema de direção chegue ao mercado. A previsão atual é que isso aconteça no fim de 2026 ou no início de 2027.

A frota supervisionada atual tem sofrido acidentes a uma taxa quatro vezes maior do que a de um motorista humano comum. Por causa dos problemas, o serviço não deve gerar lucros materiais para a empresa até o ano de 2027.


Além disso, a marca apostou no uso exclusivo de câmeras, decidindo não utilizar radares de apoio. Outras empresas que já operam automóveis sem motorista em grande escala utilizam radares para garantir uma segurança maior. Toda a limitação da Tesla hoje está nos sensores e nos programas de computador e não em sua linha de montagem.

Isso significa que o Cybercab não vai chegar aos consumidores tão cedo. Não existe a menor chance de a Tesla vender um carro sem volante para um cliente particular antes de conseguir operar o modelo de forma segura em suas próprias zonas de serviço. O destino do carro no curto prazo são apenas as pequenas áreas de testes nas cidades do Texas e em Miami.

A montadora já passou por uma situação muito parecida no passado. A Tesla removeu a alavanca de seta do sedã chamado Model 3 para criar um interior mais limpo e focado na autonomia. Os motoristas detestaram a mudança e especialistas criticaram a falta de segurança. A marca precisou voltar atrás e hoje vende a alavanca como um acessório extra por 595 dólares para consertar um problema que ela mesma criou.

O projeto do Cybercab segue esse mesmo instinto, mas em uma escala e com um custo incrivelmente maiores. A montadora removeu o volante achando que a tecnologia estaria pronta no momento em que o carro chegasse ao mercado. A tecnologia, porém, não estava pronta.

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