O mercado de fabricantes de veículos elétricos costumava focar quase totalmente na autonomia máxima. A ideia era provar que os carros podiam viajar longas distâncias com apenas uma carga. Hoje, o cenário mudou bastante. As marcas lutam para ver quem recarrega a bateria mais rápido, já que ninguém quer passar meia hora parado em um posto público.
A montadora chinesa Geely quer resolver essa frustração. A marca desenvolveu uma nova geração de bateria feita para receber uma quantidade imensa de energia elétrica de forma direta. A tecnologia já saiu dos laboratórios de pesquisa e está sendo usada em carros de produção atuais.
O sistema é a principal atração da nova série de veículos elétricos Lynk & Co 10, que estreou em maio na China. Para tornar o produto atraente, a versão básica foi lançada com um preço competitivo. O valor entrega alto desempenho de recarga por um preço acessível.
A velocidade real de carregamento mostra o salto de engenharia. As estimativas iniciais sugeriam que o carro precisaria de 9 minutos para ir de 10% a 70% de carga. No entanto, os testes oficiais superaram as expectativas.
O veículo completou o ciclo em apenas 4 minutos e 22 segundos. Se ficar conectado por 8 minutos e 42 segundos, a bateria salta de 10% direto para 97%.
Para os motoristas que preferem distâncias reais, a matemática é simples. A recarga rápida adiciona cerca de 1,9 quilômetro de autonomia a cada 1 segundo em que o carro fica ligado na tomada. Uma rápida parada de 2 minutos entrega energia suficiente para os trajetos normais do dia a dia.
Isso responde à principal dúvida dos compradores na hora de abandonar os carros a gasolina. O segredo desses tempos curtos é a recém-criada bateria Tijolo de Ouro. O equipamento usa uma estrutura de 900V e células curtas de lítio-ferro-fosfato.
A maioria dos carros de recarga rápida nas ruas usa sistemas de 400V ou 800V. O limite mais alto de voltagem permite que o modelo da Geely receba correntes elétricas gigantescas com segurança. Durante os testes, a bateria registrou um pico de entrada de 1.093 kW, ultrapassando a difícil marca de 1.000 kW no próprio veículo.
Gerenciar tanta corrente elétrica, no entanto, cria um sério desafio térmico, pois bombear toda essa energia gera um calor intenso. As regras nacionais da China exigem que as baterias de veículos elétricos nunca passem do limite de 65 graus Celsius durante o funcionamento.
Os engenheiros chegaram perto disso, pois a avaliação confirmou que a estrutura atingiu um pico de 64 graus Celsius. Ficar a 1 grau do limite legal pode parecer arriscado, mas o gerenciamento de calor protegeu as camadas químicas internas contra danos.
Para realizar esse equilíbrio, a marca projetou um sistema avançado de resfriamento. O conjunto principal usa um desenho líquido em três dimensões de dois lados, que envolve totalmente as células da bateria com fluido refrigerante.
A solução aumenta a área de troca de calor em 100% e corta o caminho do calor em 50%. Além disso, um programa de computador monitora as células a cada 1 segundo, alterando os fluxos de resfriamento para neutralizar qualquer ponto quente.
A inovação coloca a Geely no meio de uma forte disputa com a rival BYD. A concorrente costuma resolver a recarga rápida construindo terminais externos caros de 1.500 kW para atingir a meta de 5 minutos.
A Geely escolheu um caminho totalmente diferente. Em vez de focar capital em infraestrutura externa, priorizou a capacidade do próprio veículo elétrico de receber energia. Essa engenharia inteligente maximiza a eficiência sem sujeitar a bateria a grandes cargas térmicas externas.
O carregamento rápido geralmente reduz a vida útil da bateria, mas a nova química provou ser muito resistente. O componente entrega uma durabilidade de até 4.500 ciclos completos de carga.
Isso estende a quilometragem projetada da bateria para além de 1 milhão de quilômetros. A promessa final é que a peça dure tanto quanto a própria estrutura do veículo.


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