Lucid corta 1.500 empregos em nova reestruturação

A fabricante de veículos elétricos de luxo Lucid Group anunciou na segunda-feira uma ampla reestruturação que inclui a demissão de 18% de sua força de trabalho nos Estados Unidos. A medida faz parte de um esforço para reduzir custos em meio à desaceleração do mercado de veículos elétricos no país.


A nova rodada de cortes eliminará cerca de 1.500 postos de trabalho em diferentes áreas da empresa. As demissões atingirão funcionários corporativos, prestadores de serviços e trabalhadores da produção. Esta é a segunda grande redução de pessoal em menos de seis meses. Em fevereiro, a montadora já havia dispensado 12% de seus empregados. No fim de 2025, a Lucid contava com aproximadamente 9.000 trabalhadores em todo o mundo.

A reestruturação ocorre poucas semanas após mudanças importantes na liderança da empresa. Em 1º de junho, Silvio Napoli assumiu oficialmente o cargo de diretor-presidente. O executivo comandava anteriormente o Schindler Group e agora enfrenta o desafio de estabilizar uma fabricante que vem encontrando dificuldades para atingir suas metas de crescimento.

Como parte das mudanças, o diretor de operações Marc Winterhoff deixou a empresa imediatamente. Ele havia ocupado interinamente o cargo de diretor-presidente por mais de um ano antes da chegada de Napoli. A Lucid decidiu extinguir a função de diretor de operações para simplificar sua estrutura administrativa.

A saída de Winterhoff amplia uma sequência de mudanças na alta liderança da montadora. O fundador e ex-diretor-presidente, Peter Rawlinson, deixou o cargo em fevereiro de 2025. Mais tarde, a empresa demitiu o engenheiro-chefe Eric Bach, o que resultou em uma disputa judicial. Neste mês, o executivo Emad Dlala também pediu demissão poucos meses após ser promovido.

Além dos cortes de pessoal, a fabricante reduzirá a produção em sua unidade AMP-1, localizada em Casa Grande. A empresa encerrará o segundo turno de trabalho da fábrica para adequar a produção à demanda real do mercado e diminuir o estoque de veículos acumulados.

A decisão reflete um problema que vem afetando a marca há algum tempo. A Lucid tem produzido mais veículos elétricos do que consegue vender. Em 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 2,7 bilhões, mesmo com receita total de US$ 1,35 bilhão. O fluxo de caixa livre negativo atingiu US$ 3,8 bilhões, um aumento de 31% no consumo de recursos financeiros em comparação com o período anterior.

O cenário também é desafiador para todo o setor automotivo. A adoção de veículos elétricos pelos consumidores tem avançado em ritmo mais lento do que o esperado pelas fabricantes. Além disso, mudanças nas políticas públicas dos Estados Unidos aumentaram a pressão sobre o segmento. O governo federal eliminou o incentivo fiscal de US$ 7.500 para a compra de novos veículos elétricos, tornando esses modelos mais caros para os consumidores.

Apesar das dificuldades, a Lucid continua operando graças ao apoio financeiro do Public Investment Fund, que detém participação majoritária na empresa e já investiu bilhões de dólares para sustentar suas operações.

Mesmo enfrentando desafios financeiros, a marca ainda recebe elogios por seus produtos. O sedã Lucid Air e o utilitário esportivo Lucid Gravity seguem entre os modelos mais bem avaliados da categoria. A empresa também mantém o desenvolvimento de tecnologias de condução sem uso das mãos e planeja lançar, ainda este ano, um serviço de táxis autônomos em San Francisco, em parceria com Uber e Nuro.

Para o futuro, a sobrevivência da montadora poderá depender do lançamento do novo utilitário esportivo Cosmos. O modelo utilizará a nova unidade motriz compacta Atlas e terá preço inicial inferior a US$ 50 mil. A estratégia é competir diretamente com veículos de grande volume de vendas, como o Tesla Model Y, ampliando o alcance da marca para um público maior.

Aponte erros neste texto: contact@iplegal.com.br.

Postar um comentário

0 Comentários