A BYD afirmou que suas tecnologias de assistência ativa à condução estão elevando a segurança viária de forma relevante. A declaração foi feita durante a 13ª Conferência Anual de Tecnologia de Veículos Conectados e Inteligentes, em Xangai, e reforça como o software passou a ter peso central na experiência de condução dos veículos elétricos da marca.
Segundo o chefe do Instituto de Pesquisa em Novas Tecnologias Automotivas, Yang Dongsheng, a empresa acelerou a expansão do seu pacote de direção inteligente no início de 2025. Hoje, os sistemas de condução assistida de nível 2 já estão presentes em quase todos os carros de passeio elétricos da fabricante, somando perto de 3 milhões de veículos no mundo e mais de 60 modelos diferentes.
Os dados divulgados pela companhia indicam uma queda expressiva em colisões graves. A BYD mede essa taxa pelo acionamento de airbags a cada 10 milhões de quilômetros rodados. Nesse recorte, os veículos equipados com o software de direção inteligente da marca registram apenas um sexto dos acidentes severos observados entre motoristas sem auxílio eletrônico.
O uso dessas funções automatizadas também é alto. A empresa diz que a condução assistida por navegação tem taxa de ativação superior a 50%, enquanto o assistente de estacionamento é acionado em 86% das manobras. No caso específico desse sistema, a BYD afirma que as batidas leves praticamente desaparecem, com redução de arranhões e pequenas colisões para cerca de um quinquagésimo do nível tradicional, o que representa queda de 98%.
Parte desse resultado vem da chamada Arquitetura Xuanji. Em vez de operar computadores separados para entretenimento, controle do motor e segurança, a plataforma integra os sistemas eletrônicos e o conjunto de eletrificação em uma única estrutura. Com isso, o carro usa modelos físicos de inteligência artificial embarcados para prever riscos e calcular respostas defensivas antes da reação humana.
Para enxergar obstáculos que câmeras comuns podem não identificar, os veículos combinam software visual com sensores LiDAR instalados no teto. A solução ajuda a mapear objetos ocos ou suspensos, algo especialmente útil em vagas apertadas. No lado do software, a fabricante processa 190 milhões de quilômetros de dados de condução por dia em um simulador em nuvem, o que permite atualizar os algoritmos do veículo a cada três dias.
A engenharia da BYD também concentra esforços em condições extremas. Em casos de estouro de pneu em alta velocidade, chuva, neve ou pistas de lama, a plataforma integrada coordena motor e chassi em conjunto. Segundo a empresa, quando um pneu fura, o sistema consegue estabilizar o veículo em apenas 200 milissegundos. Testes em pista indicaram validação dessa capacidade em velocidades acima de 200km/h.
A apresentação antecede um evento dedicado à estratégia de direção inteligente, marcado para 28 de maio, quando analistas esperam novidades sobre o sistema de segurança “God's Eye”. Esse ecossistema inclui o programa de assistência ao estacionamento lançado pela montadora em julho de 2025.
As atualizações de software vieram acompanhadas de lançamentos de hardware. Na China, a nova configuração do Atto 3 estreou com recarga ultrarrápida e mais 75 milhas de alcance no ciclo CLTC, enquanto o novo sedã Seal 08 deve chegar até o fim do segundo trimestre com direção traseira esterçante e a mesma tecnologia de carregamento rápido.
Mesmo com a expansão tecnológica, os números globais de vendas da BYD mostram desempenho misto. Em abril de 2026, a marca entregou 314.100 veículos eletrificados no mundo, alta de 6,2% em relação a março, quando somou 295.639 unidades, mas queda de 15,7% na comparação anual.

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