A Opel vai cortar 650 vagas de engenharia em sua sede em Rüsselsheim, na Alemanha, ao mesmo tempo em que acelera o desenvolvimento de um novo utilitário esportivo compacto com tecnologia da chinesa Leapmotor. O movimento marca uma mudança importante na estratégia da marca, que agora combina design alemão com base mecânica e eletrônica chinesa.
O novo SUV ainda não tem nome, mas já tem lançamento previsto para 2028. A proposta é manter a identidade visual da Opel, com a dianteira Vizor e linhas esportivas, embora a parte técnica venha de uma plataforma desenvolvida pela Leapmotor. A Stellantis, dona da Opel, comprou 21% da empresa chinesa e passou a ter direito de usar sua tecnologia fora da China.
A aposta tem um motivo claro: reduzir custos e acelerar o desenvolvimento. Segundo o texto de origem, o novo SUV está sendo criado em menos de 2 anos, prazo muito menor do que o normal para um carro novo do zero. A ideia é oferecer um utilitário esportivo compacto e acessível, com preço competitivo no mercado europeu.
O modelo deve ser muito parecido com o Leapmotor B10, que mede cerca de 4,52 metros de comprimento. Ele ficará posicionado entre o menor Frontera e o maior Grandland, com foco em uso familiar e bom aproveitamento de espaço. O B10 usa motor elétrico de 160 kW, equivalente a 215 cv, e bateria de 56,2 kWh ou 67,1 kWh. Na configuração maior, a autonomia chega a cerca de 435 km.
Haverá também uma versão com extensor de autonomia, que usa um pequeno motor a gasolina para recarregar a bateria durante a condução. Nessa configuração, o alcance total pode chegar a cerca de 900 km. Para a Opel, isso ajuda a manter o carro mais barato e mais fácil de vender em um mercado em que o preço ainda pesa muito na decisão de compra.
A produção do novo SUV não será feita na Alemanha, mas sim em Zaragoza, na Espanha, na mesma fábrica que já monta modelos como o Opel Corsa e o Peugeot e-208. A Leapmotor B10 também sairá dessa linha, o que permite dividir máquinas, mão de obra e custos entre diferentes carros.
A mudança também tem impacto direto na estrutura da Opel. Em 2017, o centro de engenharia de Rüsselsheim contava com mais de 7.700 engenheiros. Após os novos cortes, restarão cerca de 1.000 funcionários, concentrados em áreas como inteligência artificial e sistemas de iluminação. O desenvolvimento estrutural do carro e da bateria ficará cada vez mais nas mãos de equipes internacionais na China.
A Stellantis vê o projeto como um modelo para o futuro. A Leapmotor já vendeu 40.000 carros na Europa em 2025 e quase 25.000 apenas nos 3 primeiros meses de 2026. O novo SUV da Opel, portanto, nasce como símbolo de uma nova fase da marca, com engenharia alemã, tecnologia chinesa e produção espanhola.

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