A Tesla divulgou o resultado financeiro dos 3 primeiros meses de 2026 com números que, à primeira vista, parecem fortes. A receita chegou a €19,10 bilhões e o lucro por ação foi de €0,35, acima da expectativa de Wall Street. Mas o relatório também mostra sinais claros de pressão no negócio principal da empresa.
No período, a montadora entregou 358.023 veículos, cerca de 7.600 a menos do que queria vender. Pior: produziu 50.000 carros a mais do que conseguiu emplacar, o que elevou o estoque e deixou muitos veículos parados em pátios e estacionamentos. Hoje, a Tesla tem cerca de 27 dias de produção guardada, ante 15 dias no mesmo período do ano passado.
Parte do lucro veio de ajustes contábeis e eventos pontuais, e não apenas da venda de carros. Entre os fatores que ajudaram o resultado estão reembolsos ligados a tarifas e mudanças na forma de registrar gastos com garantia. A empresa também levou 71 dias para pagar fornecedores, 10 dias a mais do que o normal, o que melhora o fluxo de caixa no curto prazo.
Outro ponto relevante é o fim da linha para o Model S e o Model X, os carros que ajudaram a construir a imagem da Tesla. A produção desses modelos será encerrada no começo de maio na fábrica de Fremont, na Califórnia. No total, mais de 610.000 unidades foram fabricadas ao longo dos anos. O espaço será usado para o robô Optimus.
Elon Musk afirmou que a produção do robô deve começar entre julho e agosto de 2026, mas reconheceu que ainda não sabe quantas unidades serão possíveis neste ano. Cada Optimus tem 10.000 peças, o que mostra a complexidade do projeto.
A Tesla também voltou a enfrentar o tema da direção totalmente autônoma. Musk admitiu que os carros com Hardware 3 não têm processamento suficiente para dirigir sem supervisão humana, o que afeta muitos clientes que pagaram até €12.800 pelo recurso. A solução, segundo ele, pode exigir pequenas fábricas urbanas para trocar computadores e câmeras em milhões de carros antigos.
Enquanto isso, a empresa já iniciou a produção do Cybercab em Giga Texas e também mencionou a compra de uma empresa de hardware de inteligência artificial por até €2 bilhões, pago em ações. Só para projetos de inteligência artificial, a Tesla planeja gastar mais de €21 bilhões neste ano.
O novo Roadster, por sua vez, continua atrasado. Mostrado pela primeira vez em 2017, o esportivo prometia velocidade acima de 402 km/h, aceleração de 0 a 97 km/h em menos de 2 segundos e autonomia de 998 km. Agora, Musk diz que o modelo pode ser mostrado novamente em “cerca de um mês”, mais um adiamento na longa fila de promessas.
No fim, o balanço da Tesla sugere mais esforço para sustentar a imagem financeira do que uma virada real nas vendas. A empresa está recorrendo a ajustes contábeis, créditos fiscais e novos investimentos em inteligência artificial enquanto o ritmo de venda de carros desacelera.

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