A Donut Lab divulgou um segundo relatório independente sobre sua bateria de estado sólido, indicando que a célula consegue operar em temperaturas extremas de até 100°C e, surpreendentemente, aumentar sua capacidade de descarga nessas condições. O teste foi conduzido pelo VTT Technical Research Centre da Finlândia, instituto estatal que já havia validado a recarga rápida do mesmo protótipo.
O novo relatório confirma que a célula identificada como Donut Solid State Battery V1 suportou descarga em temperaturas elevadas sem perda funcional. Segundo o documento, a bateria possui capacidade nominal de 26 Ah e energia nominal de 94 Wh a 3,6 V.
Em condições ambiente de 20°C, a célula entregou 24,9 Ah em descarga a 1C, equivalente a 24 A, valor cerca de 4% abaixo da capacidade nominal declarada. O cenário mudou em temperaturas elevadas.
A 80°C, a bateria descarregada a 24 A forneceu 27,5 Ah, o que representa 110,5% da capacidade medida em temperatura ambiente. Já a 100°C, com descarga a 12 A, entregou 27,6 Ah, correspondendo a 107,1% da referência na mesma corrente. Após os testes, a célula voltou a carregar normalmente em temperatura ambiente.
De acordo com o VTT, baterias convencionais de íons de lítio apresentam degradação significativa e risco de fuga térmica em temperaturas tão elevadas. No caso da tecnologia de estado sólido, a ausência de eletrólito líquido inflamável pode explicar a estabilidade e o ganho de eficiência iônica com o aumento de temperatura.
No entanto, foi identificado um ponto de atenção. Após o teste a 100°C, o invólucro da célula perdeu vácuo, indicando possível formação de gases internos ou limitação na vedação. Apesar de continuar funcional, a durabilidade em uso prolongado sob calor extremo ainda precisa de validação adicional.
Na semana anterior, o VTT já havia confirmado a capacidade de recarga rápida da bateria, com carga de 0% a 80% em 4,5 minutos a taxa de 11C. A empresa afirma que divulgará novos resultados semanalmente como parte da campanha de transparência denominada I Donut Believe.
Apesar das validações iniciais, algumas das promessas mais ambiciosas permanecem sem comprovação independente. A Donut Lab afirma que sua bateria atinge densidade energética de 400 Wh/kg, número considerado elevado no setor. Com 94 Wh de energia nominal, a célula precisaria pesar aproximadamente 235 gramas para atingir essa marca, dado que não foi informado no relatório técnico.
Outra alegação envolve vida útil de 100.000 ciclos de carga e descarga, patamar muito superior aos 1.000 a 5.000 ciclos típicos das baterias comerciais atuais. Empresas consolidadas do setor de estado sólido, como Toyota, Samsung SDI, CATL e BYD, projetam início de produção comercial apenas a partir de 2027 e não anunciaram especificações simultaneamente tão elevadas.
Também não foram testadas ainda as condições de operação em -30°C, temperatura na qual a empresa promete retenção de mais de 99% da capacidade. Além disso, não há análise independente sobre os custos de produção, apesar da afirmação de que a tecnologia utilizará materiais abundantes e sustentáveis.
O CEO da Donut Lab, Marko Lehtimäki, declarou que pretende equipar motocicletas Verge com a nova bateria já no primeiro trimestre de 2026. Com o prazo se aproximando, o mercado acompanha atentamente os próximos relatórios técnicos para verificar se a tecnologia poderá cumprir as metas anunciadas.

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