Um juiz federal dos Estados Unidos determinou que a Tesla deverá enfrentar uma ação coletiva que acusa a montadora de discriminar trabalhadores norte-americanos ao priorizar profissionais com visto temporário H-1B para cargos de engenharia. A decisão representa um novo desafio jurídico para a empresa, que já lida com outras disputas legais e regulatórias.
O juiz distrital Vince Chhabria afirmou que o autor apresentou “fatos suficientes” para permitir o andamento do processo, embora tenha demonstrado ceticismo quanto à robustez das alegações. Ainda assim, a ação seguirá para as próximas etapas judiciais.
A proposta de ação coletiva foi apresentada em setembro de 2025 pelo engenheiro de software Scott Taub. Ele afirma ter sido preterido em uma vaga de engenharia como parte de uma suposta preferência sistemática por profissionais estrangeiros com visto H-1B, o que violaria a legislação federal de direitos civis. Segundo Taub, um recrutador teria informado que a posição desejada era destinada apenas a candidatos com esse tipo de visto.
A decisão judicial também considerou dados que indicam que a Tesla contratou aproximadamente 1.355 profissionais com visto H-1B em 2024, ao mesmo tempo em que realizou demissões superiores a 6.000 funcionários nos Estados Unidos. A maior parte dos desligados seria composta por cidadãos norte-americanos.
Por outro lado, o magistrado rejeitou as alegações de uma segunda autora, a especialista em recursos humanos Sofia Brander. Ele avaliou como improvável que a empresa privilegie trabalhadores estrangeiros para funções administrativas, mas concedeu prazo de duas semanas para eventual reapresentação da queixa.
A Tesla contestou as acusações e classificou as alegações como infundadas em documentos apresentados à Justiça.
O processo amplia uma controvérsia que ganhou força desde 2024, quando surgiram relatos de substituição de funcionários demitidos por trabalhadores estrangeiros. Dados do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos indicam que a empresa solicitou mais de 2.000 vistos H-1B durante o mesmo período em que conduzia demissões em massa. Considerando o limite anual nacional de 65.000 vistos, as solicitações da Tesla representariam mais de 3% do total.
Apesar desses números, o juiz destacou que estatísticas isoladas não comprovam preferência ilegal por trabalhadores estrangeiros. O ponto decisivo para manter o processo foi a suposta declaração do recrutador sobre a vaga ser exclusiva para candidatos com visto H-1B, que pode configurar evidência direta de discriminação caso confirmada.
A ação ocorre em um contexto sensível para a empresa e seu principal executivo, Elon Musk, que historicamente defendeu o programa de vistos H-1B. Mais recentemente, o empresário passou a reconhecer falhas no sistema e sugeriu critérios salariais mais elevados para sua concessão.
Com a continuidade do processo, a Tesla poderá enfrentar escrutínio judicial sobre suas práticas de contratação, tema que ganha relevância diante da crescente disputa global por profissionais especializados em tecnologia e engenharia.

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