Tesla perde espaço na Europa enquanto mercado de elétricos cresce

O mercado europeu de veículos elétricos iniciou 2026 em forte expansão, mas a Tesla seguiu na direção oposta. Dados divulgados pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis mostram que a marca registrou apenas 8.075 veículos na União Europeia, Reino Unido e países da EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) em janeiro, queda de 17% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.


O desempenho contrasta com o crescimento geral do segmento. Ao todo, 189.062 veículos elétricos foram registrados na região em janeiro, ante 165.930 unidades um ano antes. Com isso, a participação de mercado dos modelos elétricos chegou a 19,3%, avanço significativo frente aos 14,9% observados no início de 2025. Sem o recuo da Tesla, a expansão das demais marcas teria alcançado cerca de 16%.

Enquanto a fabricante norte-americana perdeu fôlego, concorrentes ampliaram presença. A chinesa BYD registrou 18.242 veículos em janeiro de 2026, alta expressiva de 165% em base anual e mais que o dobro do volume da Tesla. Com isso, a BYD atingiu participação combinada de 1,9% na União Europeia, Reino Unido e EFTA, enquanto a Tesla caiu para 0,8%.

No ano passado, a redução nas vendas da Tesla foi atribuída ao período de transição para a versão atualizada do Model Y, conhecida internamente como Juniper. Entretanto, com o modelo já disponível há meses, o argumento perdeu força e a tendência de queda permanece.

Na União Europeia isoladamente, a retração da Tesla foi mais moderada, de 1,6%, com 7.187 unidades registradas. O cenário mais crítico ocorreu nos mercados da EFTA, especialmente na Noruega. A retirada de incentivos fiscais para veículos de alto valor provocou queda de 76,3% nas vendas totais de carros novos no país, impactando diretamente a Tesla, tradicional líder local.

Apesar das dificuldades de algumas marcas, a transição energética do mercado europeu segue acelerada. As vendas de veículos a gasolina caíram 28,2% em janeiro, com retrações relevantes em países como França e Alemanha. Modelos a diesel também recuaram mais de 22%. Juntos, esses veículos representam agora cerca de 30% do mercado europeu, contra quase 40% um ano antes.

Os híbridos plug-in ganharam espaço nesse contexto, com crescimento de 32,2% nas matrículas mensais. Fabricantes tradicionais também apresentaram desempenho positivo. O grupo Stellantis ampliou as vendas em 6,7%, superando 164.000 unidades, com destaque para a Fiat, que avançou quase 25%. Mesmo com leve queda de 3,8%, o Grupo Volkswagen manteve liderança isolada, com participação de 26,7%.

Diante do aumento da concorrência, redução de subsídios e mudanças estruturais no mercado, a Tesla enfrenta um cenário mais desafiador na Europa. A evolução dos próximos meses será decisiva para indicar se a marca conseguirá recuperar competitividade em um dos principais mercados globais de veículos elétricos.

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