A Tesla evitou a suspensão de 30 dias de suas licenças de fabricante e concessionária na Califórnia após cumprir uma determinação do Departamento de Veículos Motorizados do estado para deixar de usar o termo “Autopilot” em sua publicidade. O acordo encerra um processo que se arrastava há quase três anos e reconhece que a comunicação da empresa sobre seus sistemas de assistência ao motorista era considerada enganosa pelas autoridades.
A investigação começou em 2021, quando o órgão regulador passou a questionar o uso das expressões “Autopilot” e “Full Self-Driving” para designar recursos avançados de assistência à condução. Segundo o órgão, os nomes sugeriam que os veículos poderiam dirigir sozinhos, o que não corresponde à realidade.
Desde maio de 2021, a Tesla promovia seus sistemas afirmando que eram projetados para realizar viagens curtas e longas sem necessidade de ação do motorista. No entanto, os veículos equipados com esses recursos não operam como carros autônomos e exigem supervisão constante.
Em novembro de 2023, o departamento formalizou acusações contra as licenças da montadora. A defesa da Tesla alegou que o uso das nomenclaturas era conhecido pelas autoridades desde 2014 e 2016, respectivamente, argumentando que não haveria base para punição tardia.
Após cinco dias de audiências em 2025, um juiz administrativo decidiu a favor do órgão regulador. Em dezembro de 2025, foi determinado que o uso do termo “Autopilot” violava a legislação estadual por induzir consumidores a erro. A decisão classificou a prática como parte de uma tradição de uso intencional de ambiguidade na comunicação comercial.
Inicialmente, foi aplicada a suspensão de 30 dias das licenças. Posteriormente, a penalidade foi revista. A suspensão da licença de fabricante foi suspensa permanentemente, e a Tesla recebeu prazo de 60 dias para eliminar o termo “Autopilot” de seus materiais promocionais.
Segundo o órgão, a empresa adotou medidas corretivas. O nome “Autopilot” foi retirado do mercado nos Estados Unidos e no Canadá. Já o sistema “Full Self-Driving” passou a incluir aviso explícito de que exige supervisão do motorista.
Em janeiro, a Tesla também descontinuou o “Autopilot” como produto independente e migrou o sistema de direção assistida para um modelo exclusivamente por assinatura, ao custo de 99 dólares por mês, eliminando a opção de compra única de 8.000 dólares. A mudança coincidiu com o prazo final de conformidade estabelecido para 14 de fevereiro.
Embora tenha evitado a proibição de vendas em seu maior mercado nos Estados Unidos, a decisão judicial consolida o entendimento de que a comunicação anterior da Tesla era inadequada. A empresa mantém cerca de 1,1 milhão de assinantes do sistema de direção assistida, número que inclui clientes que adquiriram o pacote anteriormente.
O caso reforça o debate global sobre a nomenclatura de sistemas de assistência ao motorista e os limites entre marketing e autonomia real. Apesar das mudanças, os recursos continuam classificados como nível dois de automação, exigindo atenção permanente do condutor.

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