A Tesla intensificou a disputa pelo nome Cybercab ao protocolar uma oposição formal de 167 páginas contra a empresa francesa UNIBEV junto ao Conselho de Julgamento e Apelação de Marcas do Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos. A medida ocorre poucas semanas antes da fabricante iniciar a ampliação da produção do veículo autônomo na Gigafactory Texas.
O documento, apresentado em 18 de fevereiro, reúne cinco acusações contra o pedido de registro da UNIBEV, que abrange categorias relacionadas a veículos terrestres e até aeronaves. A Tesla afirma que a companhia francesa agiu com fraude, má-fé e tentativa de diluição de marca ao solicitar a proteção do nome Cybercab.
Na primeira alegação, a Tesla sustenta que a UNIBEV declarou ao órgão regulador que nenhum outro agente utilizava termos como cyber ou cab em produtos semelhantes. Segundo a montadora, essa informação seria falsa, pois o Cybercab foi revelado publicamente durante o evento We, Robot, em outubro de 2024, com ampla repercussão internacional, embora o pedido de marca tenha sido registrado posteriormente pela própria Tesla.
Outro ponto central da ação questiona a intenção real de uso da marca. A Tesla argumenta que a UNIBEV atua no atacado de bebidas e não possui histórico na indústria automotiva, caracterizando uma prática conhecida como ocupação especulativa de marca, na qual empresas registram nomes de alto potencial comercial sem intenção de utilizá-los para negociar posteriormente com o titular legítimo.
A montadora reforça o argumento destacando que o principal executivo da UNIBEV acompanha nas redes sociais figuras ligadas à Tesla, o que indicaria conhecimento prévio do projeto Cybercab. Além disso, a empresa francesa já registrou marcas relacionadas ao universo da Tesla, como Teslaquila, Cyberquad e Cybertaxi.
O cronograma dos registros também favorece a UNIBEV. A empresa protocolou a marca Cybercab na França em 29 de abril de 2024 e posteriormente nos Estados Unidos em 28 de outubro do mesmo ano, cerca de duas semanas após a apresentação pública do veículo e antes da solicitação da Tesla em novembro. Pelas regras de prioridade internacional, a data francesa pode conferir vantagem jurídica à companhia europeia.
As demais acusações da Tesla sustentam risco de confusão com a família de marcas CYBER associadas ao Cybertruck, possibilidade de diluição de marca notória e falsa sugestão de vínculo comercial com a fabricante norte-americana.
A disputa ocorre em um momento estratégico. Em 17 de fevereiro, a Tesla produziu a primeira unidade do Cybercab sem volante na Gigafactory Texas, apenas um dia antes da apresentação da oposição. A empresa pretende iniciar produção em volume em abril de 2026 e promete entregar o modelo com preço inferior a US$ 30.000 antes de 2027.
Diante da incerteza jurídica, a Tesla também registrou pedidos alternativos para os nomes Cybercar e Cybervehicle, mencionados pelo CEO Elon Musk durante a divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025. Ainda assim, esses termos podem enfrentar obstáculos semelhantes devido ao histórico de registros envolvendo a família de marcas CYBER.
O desfecho da disputa será decisivo para a estratégia comercial do Cybercab, projeto considerado central para a futura operação de transporte autônomo da Tesla.

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