A Stellantis registrou um prejuízo líquido de €22,45 bilhões em 2025, marcando a primeira perda anual desde a formação do grupo em 2021. O resultado representa uma virada estratégica histórica para a companhia, que agora recua na eletrificação acelerada e volta a apostar em motores a combustão e híbridos para recuperar rentabilidade.
O conglomerado automotivo, responsável por marcas como Jeep, Fiat, Alfa Romeo, Peugeot, Citroën, Opel e DS Automobiles, admitiu que superestimou a velocidade de adoção dos veículos elétricos. O investimento elevado em plataformas elétricas e a preparação para abandonar motores a combustão geraram custos significativos e pressão sobre o caixa.
Nos Estados Unidos, parte dos novos veículos elétricos enfrentou baixa demanda. Modelos como Dodge Charger Daytona e Jeep Wagoneer S chegaram ao mercado com preços elevados e não convenceram consumidores em volume suficiente, levando a empresa a reavaliar sua estratégia baseada exclusivamente em baterias.
Como resposta, a Stellantis decidiu reforçar a oferta de modelos com motores a combustão, especialmente aqueles com maior margem de lucro. Entre as medidas anunciadas está o retorno do tradicional motor HEMI V8 na América do Norte, movimento que busca atrair clientes ainda resistentes à transição elétrica.
Na Europa, a revisão estratégica também se reflete na retomada de motores diesel e opções híbridas leves a gasolina em diversos produtos. Os sucessores do Alfa Romeo Stelvio e do Alfa Romeo Giulia, por exemplo, foram adiados para garantir uma oferta de motorização mais alinhada às preferências do mercado. O CEO Antonio Filosa afirmou que a companhia avançou rápido demais na transição energética e que o objetivo agora é oferecer liberdade de escolha entre tecnologias.
O impacto financeiro do prejuízo levou o conselho a suspender o pagamento de dividendos em 2026. Para reforçar liquidez, a Stellantis também anunciou emissão de €5,04 bilhões em títulos de dívida. A receita total do grupo atingiu €154,59 bilhões em 2025, mas não foi suficiente para compensar os custos de reestruturação industrial e estoques acumulados.
Apesar do cenário negativo, o segundo semestre de 2025 apresentou sinais de recuperação. Os embarques globais cresceram 11% nos últimos seis meses do ano e a empresa encerrou o período com 5,573 milhões de veículos vendidos, mantendo a quinta posição entre as maiores montadoras do mundo, atrás de Toyota e Grupo Volkswagen.
A reação do mercado financeiro, entretanto, segue cautelosa. As ações da Stellantis caíram mais de 30% nos últimos 12 meses, atingindo o menor nível desde a criação da companhia. A nova gestão aposta que um portfólio equilibrado entre veículos elétricos, híbridos e modelos com motor a combustão permitirá a retomada da lucratividade ao longo de 2026, enquanto a estratégia de eletrificação total fica temporariamente em segundo plano.

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