A fabricante sueca de veículos elétricos Polestar recebeu um importante reforço financeiro para sustentar sua expansão global. Os bancos Sumitomo Mitsui e Standard Chartered anunciaram um investimento conjunto de €341 milhões, com €171 milhões aportados por cada instituição. A operação deve ser concluída até 5 de fevereiro de 2026.
O novo capital chega em um momento estratégico para a Polestar, que busca fortalecer o caixa, reduzir pressões financeiras e ampliar as vendas de veículos elétricos no mundo. Mesmo com o aporte, nenhum dos bancos terá participação superior a 10% da companhia.
Nos últimos meses, a Polestar enfrentou desafios relevantes, como endividamento elevado e prejuízos recorrentes. Para manter sua listagem na Nasdaq, a empresa realizou recentemente um grupamento de ações, elevando o preço unitário de menos de €1 para cerca de €15. No acordo atual, as ações estão sendo adquiridas a €16,51 cada.
Paralelamente, a marca passa por uma mudança profunda em sua estratégia comercial. O modelo baseado quase exclusivamente em vendas on-line está sendo substituído por uma rede tradicional de concessionárias. Fora da China, a Polestar já ampliou sua rede de vendas em 50%. No mercado chinês, todas as 30 lojas foram fechadas para concentrar esforços no novo formato.
Segundo o CEO Michael Lohscheller, a Europa se tornou o principal foco da empresa. O continente respondeu por cerca de 78% das vendas globais em 2025, consolidando-se como o mercado mais forte da marca diante da concorrência intensa nos Estados Unidos e na China.
Os números mais recentes mostram sinais claros de recuperação. No último trimestre de 2025, as vendas cresceram 27%, totalizando 15.608 veículos. No acumulado do ano, a Polestar entregou 60.119 veículos elétricos em todo o mundo.
Para driblar tarifas de importação e manter preços competitivos, a empresa também está ajustando sua estratégia industrial. A produção está sendo gradualmente transferida para a Coreia do Sul e para a Europa. O Polestar 4, destinado ao mercado norte-americano, será fabricado em Busan. O modelo conta com bateria de 100 kWh, autonomia de até 483 km, 4,84 metros de comprimento e 2,14 metros de largura.
Outro destaque da linha é o Polestar 3, utilitário esportivo de luxo com até 517 cavalos de potência e alcance de 563 km, além de cerca de 4,9 metros de comprimento. A diversificação das fábricas deve ajudar a marca a reduzir custos logísticos e minimizar impactos de disputas comerciais entre países.
O grupo chinês Geely, controlador majoritário da Polestar, segue como pilar fundamental dessa estratégia. A marca utiliza plataformas, tecnologia e cadeia de suprimentos da Geely para acelerar o desenvolvimento de novos modelos e reduzir despesas, o que viabiliza projetos como os futuros Polestar 5 e Polestar 6.
Apesar de ainda operar no vermelho, o investimento de €341 milhões sinaliza a confiança de grandes instituições financeiras no potencial de longo prazo da Polestar. A empresa deve divulgar novos detalhes sobre sua situação financeira e próximos lançamentos em 18 de fevereiro, reforçando a expectativa de que 2025 marque o início de uma fase mais sólida rumo à rentabilidade.

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