Victor Nechita, gerente de programa responsável pelo robotáxi Cybercab da Tesla, anunciou sua saída da montadora poucos dias após a primeira unidade de produção do veículo ser fabricada na Gigafactory Texas. A movimentação reforça uma sequência recente de desligamentos de executivos e gestores seniores ligados ao desenvolvimento de veículos da empresa.
Nechita ingressou na Tesla em 2017 como estagiário na linha de produção do Model 3, período marcado pelos desafios produtivos que o próprio Elon Musk classificou como fase de dificuldades industriais. Ao longo de quase nove anos, ele evoluiu internamente, passando por funções de engenharia de assentos, gestão técnica de programas e, posteriormente, assumindo a liderança de gerenciamento do Cybercab.
Em publicação nas redes profissionais, o executivo destacou a trajetória desde o estágio até a posição de gerente de programa do primeiro veículo desenvolvido especificamente para condução autônoma da Tesla. Ele classificou a experiência como significativa e afirmou que iniciará um novo capítulo profissional em Boston, sem revelar a próxima empresa.
Durante sua passagem, Nechita também participou da atualização Highland do Model 3, considerada uma evolução relevante do sedã elétrico com melhorias incrementais em design e refinamento. O gestor foi um dos poucos integrantes a permanecer após a ampla reorganização da equipe de programas de veículos ocorrida entre 2024 e 2025.
A saída amplia um movimento observado desde o fim de 2025. Em novembro, a Tesla perdeu simultaneamente os gerentes de programa do Cybertruck, Siddhant Awasthi, e do Model Y, Emmanuel Lamacchia, ambos com histórico semelhante de crescimento interno. Nos últimos dois anos, a lista de desligamentos também incluiu nomes como Omead Afshar, vice-presidente de vendas e manufatura para América do Norte e Europa, Milan Kovac, responsável pelo projeto Optimus, Drew Baglino, executivo veterano da área de motores, e Pete Bannon, vice-presidente de engenharia de hardware.
Com essas mudanças, a Tesla atualmente não mantém gerentes de programa originais em nenhum de seus veículos de produção, incluindo Model 3, Model Y, Cybertruck e o próprio Cybercab.
Apesar da saída, Nechita deixou a empresa após alcançar um marco relevante. Ele conduziu o Cybercab desde a fase conceitual até a fabricação da primeira unidade. A Tesla ainda prevê um período prolongado de validação antes da produção contínua, processo que Elon Musk descreveu como lento nas etapas iniciais.
O desafio central do projeto, porém, permanece ligado à tecnologia de direção totalmente autônoma. O Cybercab foi concebido sem volante e sem pedais, o que significa que sua operação depende integralmente do software de condução automatizada. Em setembro de 2025, a Tesla alterou a nomenclatura comercial de seus sistemas e deixou de prometer explicitamente a autonomia sem supervisão.
Outro ponto relevante envolve o hardware. O Cybercab será lançado com a plataforma computacional AI4, enquanto a próxima geração AI5 está prevista apenas para meados de 2027. Até o momento, a Tesla não demonstrou direção totalmente autônoma sem supervisão em larga escala em seus veículos equipados com o sistema atual.
O programa de robotáxis anunciado pela empresa também segue em fase limitada. Testes iniciados em janeiro tiveram operação reduzida e permanecem restritos a uma pequena área de Austin, com uso significativo de teleoperação remota.
A saída de Nechita ocorre, portanto, em um momento estratégico para a Tesla, que avança na industrialização do Cybercab ao mesmo tempo em que enfrenta desafios técnicos e de liderança na consolidação de sua aposta em mobilidade autônoma.

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