Ford trabalha em picape elétrica para enfrentar chinesas

A Ford prepara uma virada estratégica global e aposta em uma picape elétrica de €26 mil para reconquistar mercado. O novo modelo, previsto para 2027, será construído sobre a inédita plataforma Universal Electric Vehicle, conhecida como UEV, e é considerado internamente o projeto mais importante da marca em décadas.


Após desempenho abaixo do esperado da F-150 Lightning e dificuldades do Mustang Mach-E, a montadora decidiu mudar o foco. A meta agora é produzir veículos elétricos acessíveis para famílias comuns, capazes de competir diretamente com modelos chineses de baixo custo.

A nova plataforma UEV funcionará como uma base modular para até oito modelos diferentes, incluindo utilitários esportivos e vans compactas. A picape elétrica será de porte médio, semelhante à Ford Maverick, abandonando a lógica de veículos cada vez maiores. A proposta é oferecer dimensões adequadas a garagens suburbanas e uso urbano.

Mesmo com preço competitivo, a Ford promete desempenho robusto. A meta é acelerar de zero a 97 km/h em 4,5 segundos, nível semelhante ao Mustang EcoBoost. A marca garante que o modelo não terá aparência ou acabamento de produto básico, mesmo na faixa de €26 mil, com interior moderno e software avançado.

Para atingir esse valor, a engenharia adotou uma abordagem focada em eficiência extrema. Um exemplo está nos retrovisores. O novo sistema utiliza apenas um motor elétrico para ajustar e rebater o conjunto, substituindo dois motores tradicionais. A solução reduziu o tamanho em 20%, diminuiu peso e acrescentou cerca de 2,4 km de autonomia.

A aerodinâmica também foi prioridade. A Ford afirma que a picape será 15% mais eficiente no fluxo de ar do que qualquer outra do segmento. O desenho da carroceria direciona o ar sobre a caçamba e desvia o fluxo das rodas dianteiras, evitando turbulência nas traseiras. Essa solução acrescenta aproximadamente 7,2 km de alcance.

A bateria será do tipo fosfato de ferro-lítio, mais conhecida como LFP. A tecnologia dispensa níquel e cobalto, reduz custos e permite recarga diária a 100% sem desgaste acelerado. A produção ocorrerá em nova fábrica no estado de Michigan. O sistema elétrico será de 400 volts, opção mais econômica do que sistemas de 800 volts, que elevam o custo em cerca de 20%.

No interior, o espaço promete surpreender. Segundo a Ford, haverá mais espaço para passageiros do que em um Toyota RAV4. Isso será possível porque o pacote de baterias integra a estrutura do veículo e os bancos são fixados diretamente sobre ele, eliminando estruturas adicionais e aumentando o aproveitamento interno.

O modelo será definido por software. Em vez de dezenas de módulos eletrônicos independentes, a picape utilizará um sistema central chamado E-Box, responsável por gerenciar energia e carregamento. O veículo também adotará arquitetura elétrica de 48 volts, substituindo os tradicionais 12 volts usados há décadas. A mudança permitiu eliminar 1.219 metros de cabos e reduzir cerca de 10 kg de peso.

Desde o lançamento, a picape contará com o sistema BlueCruise de série, permitindo condução sem as mãos no volante em milhares de quilômetros de rodovias. Para 2028, a Ford planeja evoluir para autonomia de Nível 3, permitindo que o motorista retire os olhos da via em situações específicas.

A produção também será modernizada. A nova picape utilizará grandes peças estruturais únicas de alumínio fundido. Enquanto a Maverick atual exige a união de 146 componentes na estrutura, o novo modelo substituirá esse conjunto por apenas duas peças principais, tornando a montagem 15% mais rápida e reduzindo custos.

Com preço agressivo, nova tecnologia de bateria e foco em eficiência, a Ford busca recuperar competitividade no segmento de veículos elétricos acessíveis. A estreia em 2027 marcará um dos momentos mais decisivos da história recente da fabricante americana.

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