A Ford e o grupo chinês Geely avançam nas negociações para uma possível parceria estratégica na Europa. O acordo em discussão vai além do simples compartilhamento de fábricas e pode incluir cooperação tecnológica em sistemas avançados de assistência à condução.
Segundo a agência Reuters, fontes próximas às conversas afirmam que as tratativas acontecem há meses e ganharam força nas últimas semanas. Executivos das duas empresas se reuniram recentemente em Michigan, nos Estados Unidos, e a Ford chegou a enviar um representante à China para aprofundar o diálogo.
A movimentação ocorre em um momento de forte pressão sobre as montadoras ocidentais. A indústria chinesa assumiu a liderança no desenvolvimento de veículos elétricos definidos por software, com soluções mais rápidas e custos menores. Esse avanço acelerado forçou a Ford a rever sua estratégia global.
Em dezembro, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que a empresa enfrenta uma disputa pela sobrevivência. A declaração foi feita após o anúncio de uma parceria com a Renault para desenvolver veículos elétricos mais acessíveis, capazes de competir com marcas chinesas em rápida expansão.
Agora, a Ford negocia diretamente com a Zhejiang Geely Holding Group, controladora da Volvo. Além do uso de capacidade ociosa em fábricas europeias, as conversas incluem a possibilidade de troca de tecnologias, como sistemas de direção assistida e outras soluções avançadas de assistência ao motorista.
Uma das fábricas mais cotadas para o acordo fica em Valência, na Espanha. Para a Geely, produzir veículos no continente europeu permitiria contornar tarifas que chegam a 37,6% sobre veículos elétricos importados da China. Para a Ford, a parceria pode ajudar a reduzir a distância tecnológica em um mercado cada vez mais competitivo.
A notícia surge poucos dias depois de um rumor envolvendo uma possível parceria entre Ford e Xiaomi, que foi negado pelas duas empresas. Apesar disso, a montadora americana já confirmou que, em 2026, começará a produzir baterias de fosfato de ferro-lítio em Michigan, utilizando tecnologia licenciada da chinesa CATL.
Essas baterias de menor custo equiparão veículos baseados na nova plataforma elétrica universal da Ford. O primeiro modelo será uma picape média com preço estimado em cerca de US$ 30.000. A empresa também planeja lançar, a partir de 2028, sistemas de condução autônoma de nível três, com o motorista podendo tirar os olhos da estrada em determinadas situações.
A Ford e a Geely já têm histórico em comum. Em 2010, a Geely adquiriu a Volvo da própria Ford, movimento que ajudou a transformar o grupo chinês em um dos grandes protagonistas globais da indústria automotiva.
As negociações ainda estão em andamento e não há acordo fechado até o momento. Mesmo assim, a possível parceria sinaliza uma mudança importante na estratégia da Ford diante do avanço tecnológico das montadoras chinesas no mercado global.

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