Etiópia proíbe carros a combustão e acelera adoção de veículos elétricos

A Etiópia tornou-se em 2024 o primeiro país do mundo a proibir a venda e a importação de veículos novos com motor a combustão interna. Dois anos após a decisão, dados recentes indicam que a transição para a mobilidade elétrica avança sem impactos negativos significativos, embora desafios estruturais ainda persistam.


A medida teve motivação principalmente econômica. Até 2023, o país africano gastava cerca de US$ 4 bilhões anuais com importação de combustíveis refinados, valor que figurava entre as maiores despesas externas da economia etíope e pressionava fortemente as reservas em moeda estrangeira.

Ao apostar em veículos elétricos, o governo buscou reduzir a dependência energética externa e aproveitar investimentos domésticos em geração elétrica renovável. Nos últimos anos, a Etiópia priorizou grandes projetos hidrelétricos, incluindo a Grande Barragem do Renascimento Etíope, com capacidade próxima de 6 gigawatts, e a usina Koysha, de cerca de 2 gigawatts.

Inaugurada em setembro de 2025, a barragem no rio Nilo Azul é o maior projeto hidrelétrico da África e deve dobrar a geração elétrica do país quando totalmente operacional. A expansão da oferta de energia limpa também permite exportação de eletricidade para países vizinhos como Quênia, Tanzânia e Djibuti, criando nova fonte de receita.

A política de eletrificação começou a mostrar resultados práticos. No fim de 2025, aproximadamente 115.000 veículos elétricos circulavam no país, representando 8,3% da frota total. O custo operacional também se tornou fator relevante para os consumidores. Proprietários de veículos elétricos gastam em média US$ 4 por mês com recarga, enquanto motoristas de veículos a combustão desembolsam cerca de US$ 27 mensais com combustível, diferença expressiva em um país cuja renda individual mediana gira em torno de US$ 50 por mês.

Especialistas internacionais observam o caso etíope com atenção. Analistas destacam que países com forte dependência de importações automotivas podem enxergar na eletrificação uma oportunidade simultânea de redução de custos, melhoria da qualidade do ar e fortalecimento da segurança energética.

Apesar do avanço, a transição ainda enfrenta obstáculos, como expansão da infraestrutura de recarga e adaptação do mercado automotivo local. Mesmo assim, a experiência da Etiópia começa a ser vista como um experimento relevante de política pública voltada à eletrificação em economias emergentes, com potencial de influenciar estratégias semelhantes em outras regiões do mundo.

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