China proíbe volantes cortados e endurece regras de segurança

A China vai praticamente eliminar os volantes do tipo yoke ("cortados") do seu mercado automotivo a partir de 1º de janeiro de 2027. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação publicou um novo conjunto de normas de segurança que torna inviável a homologação desse tipo de volante em novos veículos.


As regras fazem parte do regulamento GB 11557-202X, que atualiza os critérios de proteção contra impactos no volante em caso de colisão. O texto remove exceções que permitiam o uso de volantes sem a parte superior circular, como os modelos em formato de manche adotados por algumas fabricantes de veículos elétricos.

Com a mudança, todos os novos modelos vendidos na China precisarão cumprir exigências mais rigorosas. Entre elas está a redução da força máxima permitida em testes de impacto para 11.110 Newtons, alinhando o país a padrões internacionais mais severos.

Outro ponto crucial é a obrigatoriedade do chamado teste de impacto humano para todos os modelos. Antes, algumas categorias podiam ser dispensadas. Agora não há exceções.

O maior obstáculo para os volantes tipo yoke está no próprio método de teste. A norma exige que o volante seja impactado em dez pontos diferentes, incluindo áreas na parte superior do aro. Como o yoke não possui essa seção, simplesmente não é possível realizar o ensaio completo. Na prática, o modelo reprova antes mesmo de começar a avaliação.

Dados de segurança reforçam a preocupação das autoridades. Estatísticas indicam que 46% das lesões sofridas por motoristas em acidentes estão relacionadas ao conjunto de direção. O volante circular tradicional funciona como uma superfície de absorção de impacto quando o corpo é projetado para frente. Já o yoke deixa uma área vazia na parte superior, aumentando o risco de o motorista atingir o painel ou o para-brisa.

Os airbags também entram na equação. As novas regras determinam que nenhum fragmento rígido pode ser projetado em direção ao motorista durante a deflagração. Especialistas chineses apontaram que o formato não convencional dos yokes dificulta a previsibilidade de deformação e ruptura em colisões.

Quando a norma entrar em vigor, em 1º de janeiro de 2027, todos os novos modelos deverão se adequar. Marcas que já comercializam veículos com volante tipo yoke poderão ter cerca de 13 meses para ajustar seus projetos.

A decisão do maior mercado automotivo do mundo deve impactar fabricantes globais. Ao que tudo indica, o volante do futuro continuará sendo o clássico círculo que domina os carros há décadas.

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