A Tesla registrou nova queda nas entregas mundiais de veículos elétricos, consolidando em 2025 o segundo ano consecutivo de retração e marcando o fim de um ciclo de crescimento acelerado que se estendeu por quase uma década. Os dados do balanço anual mostram que a marca norte-americana não apenas recuou em volume, como também perdeu a liderança mundial no segmento de veículos elétricos a bateria.
De acordo com os números divulgados pela empresa, a Tesla entregou 1.636.129 veículos ao longo de 2025. O resultado representa queda superior a 8,5% em relação a 2024, quando foram entregues 1,79 milhão de unidades. Em 2023, a companhia havia alcançado seu ponto mais alto, com 1,81 milhão de veículos entregues globalmente.
O quarto trimestre foi o período mais crítico do ano. Entre outubro e dezembro, a Tesla entregou 418.227 veículos, volume 15,61% inferior ao registrado no mesmo período de 2024 e quase 16% menor que o do trimestre anterior. As entregas também ficaram abaixo das estimativas de mercado, que projetavam pelo menos 420.399 unidades.
Os modelos Model 3 e Model Y seguiram como os principais responsáveis pelo desempenho da marca. No último trimestre, foram produzidas 422.652 unidades desses dois veículos e entregues 406.585. No acumulado do ano, a produção chegou a 1.600.767 unidades, com 1.585.279 entregas. Já a linha de “Outros Modelos”, que inclui Model S, Model X e Cybertruck, respondeu por 53.900 unidades produzidas e 50.850 entregues em 2025.
O dado mais simbólico do relatório foi a perda da liderança global em veículos elétricos a bateria. A posição passou para a chinesa BYD, que comercializou 2.256.714 carros totalmente elétricos em 2025, mais de 600.000 unidades acima do volume da Tesla. Enquanto as vendas globais da marca norte-americana caíram, a BYD registrou crescimento próximo de 28%.
Além disso, embora a BYD também atue com híbridos plug-in, suas vendas nesse segmento somaram 2.288.709 unidades, com leve retração. Ainda assim, no recorte específico de veículos totalmente elétricos, a liderança global passou de forma clara para a montadora chinesa.
Mercados estratégicos também apresentaram sinais de desgaste para a Tesla. Na Europa, os novos registros de veículos da marca caíram 28% entre janeiro e novembro de 2025. Analistas apontam fatores de imagem e percepção pública ligados às posições e exposições do CEO Elon Musk como um dos elementos que podem ter afetado a popularidade da marca em alguns países.
No sentido oposto, a BYD ampliou suas vendas no mercado europeu em 276% no mesmo período. Na China, a Tesla enfrentou concorrência mais intensa de marcas locais, com retração superior a 7% nas vendas até novembro, em um ambiente marcado por maior oferta de veículos mais novos e com preços mais competitivos.
Outro fator apontado por analistas é o envelhecimento do portfólio. Model 3 e Model Y permanecem como os carros mais relevantes da marca, mas mesmo após atualizações recentes, não apresentaram impulso de demanda significativo. Em um mercado dinâmico, onde consumidores buscam novidades tecnológicas e design renovado, a ausência de novos produtos reduziu o apelo competitivo da Tesla, mesmo após ciclos de cortes de preços e incentivos que já começam a perder força em mercados como o dos Estados Unidos.
O relatório financeiro trouxe, por outro lado, um ponto positivo no segmento de energia. A Tesla atingiu um recorde ao implantar 14,2 GWh em soluções de armazenamento no quarto trimestre de 2025. Apesar do avanço nessa divisão, a expectativa do mercado é de que o crescimento do negócio de energia não compense integralmente a queda de rentabilidade no setor automotivo. A empresa deve encerrar 2025 com receita e lucro abaixo dos níveis de 2024.
Elon Musk tem afirmado aos investidores que a Tesla deve ser vista cada vez mais como uma companhia de inteligência artificial, com foco em robótica e tecnologias de direção totalmente autônoma. Enquanto parte do mercado acompanha essa mudança estratégica, os números de 2025 indicam que, no curto prazo, a divisão automotiva enfrenta perda de tração competitiva em escala global.

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