O governo da Coreia do Sul aprovou um novo pacote de incentivos para veículos elétricos, elevando os valores de subsídios e endurecendo critérios técnicos de bateria e recarga. As mudanças fortalecem a competitividade de Hyundai e Kia no mercado doméstico frente ao avanço de marcas chinesas como a BYD.
O Ministério do Clima, Energia e Meio Ambiente anunciou o plano final de subsídios para veículos elétricos de 2026. O valor máximo do incentivo passou para 6,8 milhões de wons, acima do limite anterior de 5,8 milhões de wons. A política inclui ainda um benefício adicional de 1 milhão de wons para consumidores que vendem ou enviam para descarte um veículo a combustão ao adquirir um veículo elétrico novo. O incentivo não se aplica a veículos usados.
O teto de preço para elegibilidade permanece em 53 milhões de wons em 2026 e será reduzido para 50 milhões de wons em 2027. O plano revisado também introduz exigências mais rígidas de densidade energética e desempenho de carregamento das baterias utilizadas nos veículos elétricos.
Essas mudanças impactam diretamente a estratégia tecnológica adotada pelos fabricantes. Enquanto diversas marcas chinesas utilizam baterias de fosfato de ferro-lítio, as chamadas LFP, a Hyundai e a Kia priorizam baterias de níquel-manganês-cobalto, que apresentam maior densidade energética. Com os novos critérios, as montadoras sul-coreanas passam a ter vantagem competitiva nas avaliações de elegibilidade aos subsídios.
Apesar disso, marcas estrangeiras mantêm participação relevante no mercado local. Até novembro de 2025, o Tesla Model Y seguia como veículo elétrico mais vendido na Coreia do Sul. A BYD, porém, vem reduzindo a distância e registrou quase 5.000 unidades vendidas nos primeiros onze meses do ano, ocupando a terceira posição entre as marcas importadas de veículo elétrico.
O mercado coreano deverá receber novos concorrentes ao longo de 2026, com a chegada de fabricantes chineses como XPeng, Li Auto e Zeekr. Em resposta, Hyundai e Kia preparam o lançamento de dois modelos de entrada totalmente elétricos, o EV2 e o Ioniq 3, projetados para competir tanto na Coreia do Sul quanto na Europa e em outros mercados internacionais.
O pacote de incentivos também contempla veículos elétricos comerciais. O plano inclui o Kia PV5, primeira van elétrica da marca. Vans pequenas poderão receber até 15 milhões de wons em subsídios, veículos elétricos médios até 40 milhões de wons e caminhões elétricos de grande porte até 60 milhões de wons.
A medida foi anunciada após o governo sul-coreano prometer reforçar o apoio ao setor de veículos elétricos, em meio a mudanças regulatórias globais e novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. No mercado norte-americano, Hyundai e Kia têm recorrido a políticas comerciais agressivas para compensar a ausência de modelos elétricos compactos de entrada, com ações como descontos elevados e pacotes de leasing mais acessíveis.
Com a nova política, a Coreia do Sul busca ampliar a adoção de veículos elétricos, fortalecer a indústria automotiva nacional e limitar o avanço competitivo de fabricantes chineses no segmento local.

0 Comentários