A administração Trump apresentou uma ampla proposta para redefinir os padrões nacionais de economia de combustível, conhecidos como CAFE. O governo afirma que as metas anteriores eram caras, difíceis de cumprir com motores a gasolina ou diesel e teriam imposto um suposto “mandato de veículos elétricos”, ignorando os benefícios já comprovados da eletrificação.
O Departamento de Transportes indica uma guinada em direção a políticas menos favoráveis aos veículos elétricos. Segundo a Casa Branca, as regras anteriores tinham metas “irrealistas” de economia de combustível que os consumidores “não pediram nem podiam pagar”.
A mudança mais profunda está na própria definição de eficiência. Pelas novas regras, os padrões seriam calculados sem considerar veículos elétricos ou os créditos que geravam. Como esses modelos têm emissões zero no escapamento, eles elevavam a média geral das montadoras. Ao removê-los da conta, as metas ficam mais difíceis de cumprir, mesmo com exigências mais brandas.
A administração pretende ainda eliminar, a partir do ano-modelo 2028, o sistema de comercialização de créditos CAFE. Ele permitia que empresas com grande volume de vendas de veículos eficientes – incluindo elétricos – vendessem créditos para outras montadoras, criando uma fonte relevante de receita para fabricantes focados em eletrificação.
Outra mudança imediata é a nova classificação de veículos. Crossovers e SUVs compactos, extremamente populares nos EUA, passam a ser considerados automóveis de passeio, e não caminhonetes leves. Isso facilita o cumprimento das metas, pois os padrões para caminhonetes tradicionalmente são mais brandos.
O plano também desacelera o ritmo de melhoria anual. Carros de passeio terão alta de apenas 0,5% nas metas entre os anos-modelo 2023 e 2026, passando a 0,35% em 2027 e chegando a 0,25% entre 2029 e 2031. Caminhonetes seguirão trajetória semelhante. Com isso, a economia média da frota deverá atingir 34,5 mpg no ano-modelo 2031, equivalente a cerca de 6,82 litros por 100 quilômetros. A Casa Branca afirma que os padrões anteriores eram “custosos e ilegais”.
O argumento central do governo é econômico. Segundo a administração, as regras anteriores elevariam o preço médio de um carro novo em quase US$ 1.000. Já o novo pacote economizaria US$ 109 bilhões para os consumidores nos próximos cinco anos, permitindo acesso a veículos mais novos sem aumentar substancialmente o custo de vida.
O governo também afirma que tornar carros novos mais baratos salvará vidas e evitará quase 1/4 de milhão de ferimentos graves até 2050, ao incentivar a substituição de veículos antigos. É uma aposta estatística que vincula desregulamentação a ganhos de segurança pública.
A proposta também dialoga com a desaceleração da adoção de veículos elétricos nos EUA, ritmo muito mais lento do que ambientalistas esperavam. A administração afirma que o plano reflete o “sentimento real” do consumidor, que ainda não estaria pronto para uma transição em massa.
O texto, por enquanto, é apenas uma proposta. Assim que for publicado no Federal Register, abrirá um período de comentários públicos de 45 dias. A iniciativa já divide opiniões entre defensores da liberdade de escolha do consumidor e críticos que priorizam metas de longo prazo para reduzir consumo de combustível e emissões.
Para apoiadores dos veículos elétricos, a revisão é um retrocesso que ameaça a competitividade da indústria automotiva americana. Eles argumentam que padrões mais fracos estimularão a produção contínua de SUVs e caminhonetes de alto consumo, enquanto a China e a Europa avançam em regras de emissões mais rígidas.
Críticos afirmam que o plano isolará os EUA do restante do mundo, reduzindo o incentivo à inovação em veículos elétricos e estendendo a vida útil de motores menos eficientes. Isso aumentaria as emissões e o consumo de gasolina ao longo das próximas décadas, resultando em custos maiores para a sociedade e impactos negativos à saúde pública.

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