Mate Rimac apresentou uma frota real de robotáxis: 60 protótipos prontos estacionados em um pátio, mostrando que seu projeto Verne saiu do laboratório e chegou às ruas. O executivo afirma que já testa os veículos em Zagreb, Croácia.
Um vídeo divulgado por Rimac foi propositalmente simples – filmado com um celular em um estacionamento – e deixou claro o essencial: os carros existem e estão operacionais.
A iniciativa pretende oferecer um serviço completo de táxi autônomo, integrando veículo, software e operação.
Diferentemente de várias concorrentes, que adaptam carros convencionais com sensores, a Verne construiu um modelo do zero especificamente para operar como robotáxi.
O carro é um hatch compacto de duas portas, sem volante nem pedais, desenhado para priorizar o passageiro.
No interior, o projeto elimina o banco traseiro para oferecer espaço a dois passageiros e concentra a atenção em uma grande tela frontal, que, segundo Rimac, permitirá consumir vídeos ou trabalhar durante a viagem.
A proposta é transformar deslocamentos urbanos tediosos em tempo útil ou de entretenimento.
A decisão de desenvolver um veículo próprio contrasta com abordagens como as da Cruise e da Waymo, que modificam modelos existentes.
Rimac argumenta que, ao automatizar a parte entediante do trânsito urbano, as pessoas poupam energia para dirigir seus carros em estradas abertas — uma justificativa curiosa vinda do fundador conhecido por supercarros.
Rimac também é fundador da marca por trás da Nevera, um veículo elétrico de alta performance com quase 2.000 cavalos.
Ainda assim, diz que construir um táxi lento e confortável faz sentido para resolver a mobilidade em cidades congestionadas.
Do ponto de vista técnico, a ausência de volante sugere direção totalmente autônoma de nível cinco — ou seja, sem necessidade de intervenção humana.
A Verne já realiza testes em vias públicas de Zagreb e mantém uma meta concreta de operação comercial entre março e junho de 2026, um calendário mais definido do que os prazos vagos frequentemente anunciados no setor.
O financiamento para levar o projeto até aqui soma cerca de €200 milhões.
Entre os apoiadores estão a própria empresa de Rimac, a Kia, o fundo Jameel da Arábia Saudita e fundos da União Europeia, o que dá base financeira robusta ao plano.
Se a Verne cumprir o cronograma, o mercado de táxis autônomos ganhará um novo ator com um caminho diferente: veículo projetado especificamente para transporte robotizado, em vez de adaptação de modelos tradicionais.
Resta observar como reguladores, cidades e usuários reagirão a um táxi sem volante circulando nas ruas.

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