Ford encerra picape elétrica F-150 Lightning

A Ford decidiu encerrar a produção do F-150 Lightning totalmente elétrico e mudar sua estratégia para priorizar rentabilidade. O modelo, que chegou a ser celebrado como revolucionário, deixa de ser fabricado enquanto a montadora passa a focar em híbridos, veículos elétricos mais acessíveis e novas frentes de negócios em energia.


Os números ajudam a explicar a decisão. Relatórios financeiros mostram que a divisão de veículos elétricos da Ford, chamada Model e, registrou prejuízo de €1.20 bilhão apenas no terceiro trimestre. No acumulado até setembro, as perdas chegaram a €3.07 bilhões, pressionando a empresa a rever o rumo de seus investimentos.

O próximo capítulo da picape mais vendida da marca não será totalmente elétrico. A Ford confirmou que o futuro F-150 Lightning passará a ser um veículo elétrico de longo alcance, combinando motores elétricos com um motor a gasolina que funciona como gerador para recarregar a bateria quando necessário. A proposta mantém a entrega de potência totalmente elétrica às rodas, além da aceleração de zero a 97 km/h em menos de cinco segundos.

Segundo Doug Field, chefe de veículos elétricos e design da Ford, a nova configuração será tão revolucionária quanto a original. A montadora promete capacidade de reboque elevada e autonomia combinada superior a 1.127 km. A produção do novo modelo está prevista para o Rouge EV Center, em Dearborn, no estado de Michigan.

Paralelamente, a Ford está reforçando sua aposta em veículos a combustão e híbridos. Funcionários do Rouge EV Center foram transferidos para a fábrica de caminhões de Dearborn, sinalizando a prioridade dada a esses modelos. A estratégia faz parte de uma meta mais ampla: híbridos, veículos elétricos de longo alcance e veículos elétricos deverão responder por 50% das vendas globais da marca até 2030, ante os 17% estimados para 2025.

A montadora também planeja oferecer opções a gasolina, híbridas e elétricas de longo alcance em quase toda a sua linha. Na América do Norte, a van comercial elétrica será substituída por versões mais baratas a gasolina e híbridas, que serão produzidas no estado de Ohio.

Apesar do recuo nos elétricos de grande porte, a Ford segue comprometida com modelos elétricos mais acessíveis. O primeiro veículo baseado na nova plataforma universal será uma picape média elétrica, com porte semelhante ao Ranger ou ao Maverick. O preço inicial estimado é de cerca de €26.000, mirando um segmento com custos menores e potencial de maior demanda. A expectativa é tornar a divisão Model e lucrativa até 2029, com sinais de melhora já a partir de 2026.

Com o fim do F-150 Lightning totalmente elétrico, a Ford também precisou redirecionar sua capacidade de produção de baterias. Após encerrar uma parceria com a SK On para fábricas nos Estados Unidos, a empresa decidiu entrar no mercado de sistemas de armazenamento de energia em baterias, impulsionado pela demanda de concessionárias de energia e centros de dados.

A montadora investirá cerca de €2 bilhões nos próximos dois anos para expandir esse novo negócio. A planta de Glendale, no estado do Kentucky, antes dedicada às baterias do F-150 Lightning, será convertida em um polo de sistemas de armazenamento, produzindo unidades superiores a 5 MWh instaladas em contêineres de 20 pés para clientes industriais.

A Ford pretende implantar ao menos 20 GWh anuais em armazenamento de energia até o fim de 2027. Outra fábrica, em Marshall, no estado de Michigan, deve iniciar a produção em 2026, fabricando células menores para sistemas residenciais e também para a futura picape elétrica média.

Ao reaproveitar seus investimentos em baterias fora do mercado de veículos elétricos de grande porte, a Ford busca garantir retorno financeiro em um cenário desafiador. A troca de modelos elétricos caros por híbridos, elétricos compactos e soluções para a rede elétrica sinaliza uma mudança pragmática na estratégia da montadora.

Aponte erros neste texto: contact@iplegal.com.br.

Postar um comentário

0 Comentários