A crescente semelhança entre veículos elétricos e híbridos na China reacendeu o debate sobre padronização excessiva e falta de identidade de marca no setor automotivo. Executivos e designers de grandes fabricantes passaram a criticar abertamente a adoção repetitiva dos mesmos elementos visuais e soluções tecnológicas em novos modelos.
Nos últimos anos, os veículos de nova energia no país passaram a repetir padrões de design como faixas de luz dianteiras contínuas, faróis afilados, sensores LiDAR no teto, maçanetas embutidas e interiores com painel reduzido, grande tela central e volante de base reta. Em 2025, o sistema Huawei Qiankun ADS, de assistência avançada à condução, também se popularizou e já aparece até em modelos de marcas parceiras internacionais, como Audi A5L e Q5L.
Para Chen Zheng, vice-presidente e chefe global de design da Geely, a indústria chinesa sofre com a tendência de seguir modismos, aplicando elementos populares sem critério. Segundo ele, isso dificulta a diferenciação entre marcas e modelos, já que muitos veículos acabam parecendo visualmente semelhantes.
O presidente da Voyah, Lu Fang, afirmou que a competição no mercado parece intensa, mas, na prática, revela escassez de inovação real. Ele defende que parte das fabricantes prioriza ganhos rápidos e aposta em imitação em vez de investir em desenvolvimento próprio orientado pelas necessidades dos usuários.
O tema também expõe contradições internas no setor. A própria Dongfeng, controladora da Voyah, já foi alvo de questionamentos sobre originalidade. Quando o Forthing Xinghai S7 foi apresentado, o diretor de design da IM Motors apontou forte semelhança com o IM L7, levantando suspeitas de cópia de estilo.
Especialistas do setor afirmam que as listas de componentes entre fabricantes de veículos de nova energia são muito parecidas. Isso acontece porque o desenvolvimento automotivo exige altos investimentos, gestão de uma cadeia de milhares de peças e atendimento a requisitos rigorosos de segurança. Na avaliação de analistas, muitos carros parecem inovadores no papel, mas compartilham a mesma base tecnológica.
Lu Fang reforça que esse tipo de competição de baixo nível leva o mercado a disputar essencialmente preço e especificações, criando produtos com “pseudo-inovações” que pouco contribuem para melhorar a experiência real do usuário.
Outro fator citado é a dificuldade de proteger direitos de propriedade intelectual no país. De acordo com reportagens locais, a caracterização de infração de design externo é subjetiva, e muitos processos acabam arquivados ou encerrados por acordo. Para especialistas, isso favorece a continuidade de práticas de cópia e reduz o incentivo à inovação genuína na indústria automotiva chinesa.

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