A prolongada guerra de preços no setor de veículos elétricos pode estar próxima de um ponto de virada. O motivo é a forte alta nos custos das matérias-primas usadas em baterias, especialmente o carbonato de lítio, que voltou a bater recordes de preço no fim de 2025 e já começa a pressionar toda a cadeia automotiva.
Dados públicos mostram que, em dezembro de 2025, o preço do carbonato de lítio grau bateria atingiu sucessivos patamares máximos, enquanto os estoques de mercado continuaram em queda. Diante desse cenário, empresas líderes do setor já iniciaram repasses de preços.
Outra fabricante, a Deegares Energy, anunciou que, desde 16 de dezembro de 2025, os preços de sua linha de baterias aumentaram 15% em relação à tabela vigente. Já a LOPAL Technology confirmou que iniciou negociações com clientes da cadeia downstream para reajustes, embora ainda não tenha divulgado percentuais específicos. Segundo a empresa, a tendência de alta é clara em todo o setor.
O principal fator por trás desses aumentos é o encarecimento das matérias-primas. O carbonato de lítio, insumo central das baterias de fosfato de ferro e lítio, vem registrando preços recordes ao longo de 2025, ao mesmo tempo em que a disponibilidade no mercado diminui.
Além disso, outros insumos básicos da cadeia, como enxofre e ácido sulfúrico, também ficaram mais caros. Isso eleva os custos de produtos intermediários, como ácido fosfórico, fosfato monoamônico e sulfato ferroso, ampliando ainda mais o peso financeiro na fabricação das baterias.
A demanda aquecida reforça o movimento de alta. Atualmente, as baterias de fosfato de ferro e lítio respondem por 81,5% da capacidade instalada de baterias de tração no mercado doméstico chinês e por mais de 90% das aplicações em sistemas de armazenamento de energia. Os principais fabricantes operam próximos da capacidade máxima, com carteiras de pedidos já avançando para 2026.
Como as baterias representam cerca de 40% do custo total de um veículo elétrico, esse novo ciclo de aumentos tende a chegar rapidamente ao consumidor final. Analistas do setor apontam que, caso os preços das baterias se mantenham elevados, as montadoras poderão ser forçadas a compensar os custos em 2026 por meio de reajustes oficiais ou redução de incentivos comerciais.
Nesse cenário, a elevação dos preços finais dos veículos elétricos pode variar entre 3% e 8%. Embora, por enquanto, os reajustes estejam concentrados nas baterias de fosfato de ferro e lítio, enquanto as baterias ternárias permanecem relativamente estáveis, a ampla dominância dessa tecnologia no mercado faz com que a maioria dos consumidores dificilmente escape do impacto.
O resultado é um sinal claro de que a fase mais agressiva da guerra de preços dos veículos elétricos pode estar chegando ao fim, substituída por um ambiente de custos mais altos e margens mais pressionadas para toda a indústria.

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