Tesla enfrenta crise na China

A Tesla vive um momento de crise no maior mercado de veículos elétricos do mundo. Em outubro, a marca americana entregou pouco mais de 26 mil carros a clientes chineses — queda de 36% em relação às mais de 40 mil unidades do mesmo mês do ano passado, enquanto o mercado local de veículos elétricos segue em expansão.


O recuo não é pontual. No acumulado de dez meses, as vendas no varejo (entregas a consumidores na China) somaram 458.710 unidades, baixa de 8,38% ante igual período de 2024 — uma diferença superior a 40 mil carros. Para evitar o primeiro tombo anual de vendas no país, a Tesla precisaria de dois meses seguidos de recordes em novembro e dezembro.

O principal foco do problema é o Model Y, o utilitário esportivo mais popular da marca. Em outubro, foram 19.488 unidades vendidas na China, pior resultado desde março: -46% na comparação anual e -62% contra setembro. No ano, o Model Y soma 312.331 emplacamentos no varejo doméstico, queda de 16,5%.

Há, porém, um contraste nas exportações. A fábrica de Xangai embarcou 19.074 unidades do Model Y para o exterior em outubro — alta de 214% na comparação anual e 118% frente a setembro. No acumulado, as exportações do modelo atingem 104.898 unidades, +41%. Ou seja: o mesmo carro que perde tração no varejo chinês ganha força como produto de exportação.

O Model 3 mostra quadro misto. No mercado doméstico, interrompeu cinco meses de queda ano a ano: 6.518 unidades vendidas em outubro, +52% sobre 2024. Ainda assim, o volume ficou 68% abaixo de setembro. No ano, o sedã soma 146.379 vendas no varejo chinês, alta de 15%. Já nas exportações, o Model 3 recuou: 16.417 carros em outubro (-24,5% ano a ano) e 104.253 no acumulado (-38%).

Somando varejo doméstico e exportações (o que a indústria local chama de vendas no atacado, que refletem a saída de fábrica), os números também enfraqueceram: o total da Tesla a partir da China caiu 10% na comparação anual em outubro. Se a tendência persistir, será o segundo ano seguido de retração no atacado.

Enquanto aguarda lançar versões mais baratas (estratégia já vista em outros mercados), a Tesla vê marcas chinesas capturarem o crescimento que a empresa não está convertendo em vendas locais. O quebra-cabeça chinês da montadora hoje combina demanda doméstica em baixa para o Model Y, exportações aquecidas do mesmo modelo e um Model 3 que reage no varejo, mas perde fôlego nos embarques ao exterior.

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