A The Boring Company, empresa de túneis de Elon Musk, enfrenta um impasse no projeto “Music City Loop”, em Nashville, capital do estado de Tennessee, nos EUA, após uma subcontratada abandonar o canteiro por alegar atraso de pagamentos. Uma das credoras, a Shane Trucking and Excavating, afirma ter recebido apenas 5% do valor devido por serviços já executados.
Segundo o proprietário William Shane, o contrato previa quitação a cada 15 dias, alterada unilateralmente para 60 dias. Passados mais de 120 dias do início das escavações, a empresa local diz ter sido “ignorada” e relata faturas em aberto na casa de centenas de milhares de dólares.
A subcontratada era responsável por preparar a base de lançamento da “Prufrock”, a tuneladora proprietária da The Boring Company. Tuneladora é a máquina perfuratriz que escava o solo para abrir túneis. A companhia promove a Prufrock como capaz de iniciar a perfuração diretamente a partir da superfície, eliminando poços de lançamento e reduzindo custos. Sem a base pronta, a escavação não avança.
A Shane também acusa a contratante de tentar recrutar sua equipe durante o contrato, oferecendo US$ 45 por hora a dois soldadores, o que seria ruptura contratual. Em paralelo, relata ter apresentado queixas formais sobre segurança à agência federal de segurança e saúde ocupacional dos Estados Unidos, citando contenção de taludes com tábuas de duas por doze polegadas em áreas que, segundo a empresa local, exigiriam estruturas de concreto.
Em resposta ao jornal Nashville Banner, o vice-presidente da The Boring Company, David Buss, atribuiu os atrasos a “erros de faturamento” e prometeu regularizar as transferências no dia seguinte. Ele disse desconhecer as queixas junto à autoridade de segurança, mas afirmou que investigará as denúncias de assédio a funcionários da subcontratada.
O “Music City Loop” foi apresentado como solução para ligar o centro de Nashville ao aeroporto, trecho conhecido por congestionamentos. A The Boring Company afirma que o projeto não usará recursos públicos, embora haja dúvidas sobre a estrutura de financiamento.
O episódio reacende críticas já feitas a empresas lideradas por Musk sobre atrasos de pagamento a fornecedores. Para Nashville, o entrave congela um projeto que vinha ganhando tração e expõe riscos operacionais quando a obra depende de cronogramas apertados, fluxo de caixa confiável e práticas rigorosas de segurança no canteiro.

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