A Foxconn planeja investir de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões por ano em inteligência artificial (IA) e vê uma consolidação iminente no mercado chinês de veículos elétricos, disse o presidente Young Liu à imprensa. A empresa também negocia com o governo do Japão possíveis aportes em inteligência artificial e veículos elétricos.
Segundo Liu, a inteligência artificial concentrará a maior parte dos investimentos nos próximos três a cinco anos, passando a responder por mais da metade dos cerca de US$ 5 bilhões de gastos anuais de capital da companhia. O negócio de nuvem e redes, que inclui servidores de inteligência artificial, já superou a área de eletrônicos de consumo por dois trimestres consecutivos, evidenciando a rápida mudança no mix de receitas.
Liu afirmou que o setor de veículos elétricos na China enfrenta competição muito intensa e deve passar por consolidação à medida que startups sem lucro deixem o mercado e o apoio estatal se reduza. Como sinal de aperto, a BYD registrou a maior queda trimestral de lucro em mais de quatro anos e reduziu a meta de vendas para 2025 para 4,6 milhões de veículos.
A Foxconn adiou, no ano passado, a meta de alcançar 5% do mercado global de veículos elétricos até 2025. A companhia não abandonou o segmento, mas vai calibrar o ritmo de investimentos até que as condições melhorem, avaliando também expansão em áreas como computação quântica e robótica. Nas conversas com o Japão, Liu ressaltou que a fabricação local de sistemas de inteligência artificial é crítica para a soberania de dados.
Para Liu, o setor de veículos elétricos pode repetir a trajetória dos computadores pessoais, quando a competição tornou a produção interna insustentável e acelerou a terceirização. A Foxconn, que inaugurou esse modelo com a Compaq nos anos 1990, vê dinâmica semelhante emergindo no automotivo. Com um caso de sucesso, outras montadoras tenderiam a seguir o caminho da terceirização para ganhar escala e reduzir custos.

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