Dupla baixa na Tesla: chefes de Model Y e Cybertruck saem

A Tesla enfrenta uma mudança relevante no alto escalão. Em poucos dias, dois gerentes de programa anunciaram a saída da empresa: Siddhant Awasthi, responsável pelo Cybertruck e também pelo Model 3, e Emmanuel Lamacchia, líder do Model Y, o veículo mais vendido do mundo. Ambos encerram ciclos de oito anos na companhia.


Awasthi conduziu o Cybertruck do conceito à entrega final, coordenando áreas de engenharia, produção, finanças e pós-venda. Sua atuação também envolveu o sedã Model 3, pilar do portfólio da marca.

Lamacchia, que chegou à Tesla em 2018 após passagem pela Rolls-Royce (grupo BMW), foi peça central no processo de introdução de novos produtos do Model 3 e das diferentes versões do utilitário esportivo Model Y. Promovido em maio de 2021, passou a chefiar o programa global do modelo.

Seu maior feito foi a implantação mundial do facelift do Model Y, convertendo Fremont, Xangai, Berlim e Austin em cerca de duas semanas — um ritmo incomum na indústria. Sob sua gestão, a Tesla lançou versões novas do utilitário esportivo, incluindo configuração de três fileiras na China e as variantes Padrão e Performance na Europa e nos Estados Unidos, com produção iniciada nas fábricas do Texas e de Berlim.

As saídas quase simultâneas de Lamacchia e Awasthi ocorrem num momento em que a Tesla é pressionada a acelerar vendas e produção, especialmente do Cybertruck, diante de concorrência crescente. Os cargos precisam ser preenchidos rapidamente para manter o ritmo de escala “dos protótipos aos milhões de unidades”, como definiu o próprio Lamacchia.

Em tom cordial, Awasthi desejou sucesso ao colega nas redes sociais: “Liderar o veículo mais vendido do mundo em quatro fábricas e entregar uma grande atualização merece aplausos”. A mensagem reforça que, embora a empresa perca conhecimento institucional, as decisões parecem pessoais dos executivos.

A reacomodação interna será um teste de governança e execução para a montadora, que construiu vantagem ao lançar produtos e atualizações em ciclos mais curtos que os rivais. Manter essa cadência sem dois dos arquitetos de programa mais experientes é o próximo desafio da Tesla.

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