A Tesla perdeu o líder do programa Cybertruck. Siddhant Awasthi, responsável pela picape elétrica e, desde 2024, também pelo Model 3, anunciou sua saída após mais de oito anos na empresa.
Em publicação na rede social X, ele classificou a decisão como “uma das mais difíceis da minha vida”. A mudança ocorre em um momento sensível para a picape de linhas angulares e para a própria Tesla, que vem registrando a saída de executivos de alto nível.
Apesar do lançamento midiático e de anos de expectativa, o Cybertruck enfrenta dificuldades comerciais. Relatos do mercado indicam que a Tesla tem problema para vender cerca de 25 mil unidades por ano — algo próximo de 10% da meta originalmente ambiciosa. O descompasso expõe um erro de cálculo sobre o apelo do produto e a distância entre o que foi prometido e o que chegou às lojas.
A carreira de Awasthi simboliza a estratégia “formar em casa” da Tesla. A empresa praticamente deixou de contratar executivos renomados do setor e passou a promover engenheiros internos para funções-chave. Ele entrou como estagiário, foi efetivado em 2018 e, em ritmo incomum para a indústria, tornou-se gerente de engenharia em dois anos. Em seguida assumiu a gestão sênior de um novo sistema elétrico de 48 volts do Cybertruck — uma arquitetura que reduz corrente elétrica, simplifica o chicote e melhora eficiência — e, no fim de 2022, antes dos 30 anos, virou chefe do programa para levar a picape à produção.
Em sua despedida, Awasthi citou a “jornada empolgante” ao participar da rampa do Model 3, do projeto da Giga Shanghai e da entrega do “Cybertruck dos sonhos”. No ano passado, acumulou a liderança do programa do Model 3, ficando responsável simultaneamente por um produto problemático e por um pilar de volume da marca.
A decisão vem após uma onda de demissões na Tesla em 2024 e sucessivas saídas de gerentes e engenheiros, que analistas já chamam de “êxodo de talentos”. A reorganização recente dos programas de veículos e a partida do executivo que comandava dois modelos centrais — especialmente o Cybertruck, ainda em busca de tração — reacendem dúvidas sobre a estabilidade operacional da montadora mais observada do mundo dos veículos elétricos.
Para a Tesla, o desafio agora é duplo: retomar a cadência de liderança técnica e recalibrar o posicionamento do Cybertruck em um mercado que mostrou ser mais estreito do que o previsto. Sem respostas claras, investidores e consumidores devem acompanhar de perto os próximos movimentos da empresa.

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