Recorde global de veículos elétricos; EUA pisam no freio


Setembro de 2025 bateu o maior volume mensal da história: foram 2,1 milhões de carros elétricos vendidos no mundo, segundo relatório setorial. O avanço veio de incentivos governamentais e da demanda aquecida em China, Europa e América do Norte. Nos Estados Unidos, porém, o fim dos créditos fiscais pode provocar queda brusca nas próximas semanas.

A China reafirmou a condição de superpotência dos elétricos: 1,3 milhão de unidades em setembro. Os BEVs — elétricos a bateria, sem motor a combustão — lideraram, com 800 mil vendas, alta de 28% ante 2024. No acumulado de janeiro a setembro, o país soma 9 milhões de elétricos, 24% a mais que um ano antes, consolidando o maior e mais desenvolvido mercado do setor.

Na Europa, também houve recorde: 427 mil elétricos em setembro, 55% acima de agosto e 36% acima de 2024. O Reino Unido puxou o ritmo com o programa Electric Car Grant (subsídio governamental ao comprador). No país, as vendas de BEVs subiram 30%; os PHEVs — híbridos plugáveis, que carregam na tomada e têm motor a combustão de apoio — avançaram quase 60%. A Alemanha aprovou um pacote de € 3 bilhões para 2026 voltado a famílias de baixa e média renda.

Na América do Norte, o retrato mistura boom e freada. Nos EUA, as vendas de elétricos saltaram 66% em setembro ante 2024, impulsionadas pela corrida para aproveitar créditos fiscais federais que expiraram em 30 de setembro. Sem o benefício, analistas projetam retração já no quarto trimestre.

As montadoras reagiram. A Hyundai reduziu preços para manter atratividade. Outras cortaram produção: a GM encerrou um turno em sua fábrica no Tennessee; a Volkswagen vai parar o ID.4 no mesmo estado em outubro; a Mercedes-Benz suspendeu quatro modelos elétricos; e a Nissan cancelou os planos de produzir EVs nos EUA.

No ano, 14,7 milhões de elétricos já foram vendidos no mundo — 26% acima de 2024. A mensagem é clara: a adoção de carros elétricos depende fortemente de política pública. China e Europa seguem acelerando com apoio estatal; os EUA viraram estudo de caso do que ocorre quando os incentivos somem.

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