Porsche adia veículos elétricos e ações despencam


A Porsche viu suas ações caírem mais de 7% nesta segunda-feira após alertar, na semana passada, que atrasos nos veículos elétricos vão pressionar o lucro de 2025. A montadora disse que vai desacelerar a transição elétrica diante da demanda mais fraca.

A controladora Volkswagen também caiu mais de 7% ao anunciar que investirá bilhões para reformular a linha da Porsche. O movimento expõe o dilema europeu: economia desaquecida, consumidores mais cautelosos e concorrência intensa de marcas chinesas como BYD e XPeng.

Na sexta-feira, a Porsche reduziu a projeção de margem: de até 7% para 2% ou menos. A empresa citou tarifas de importação dos Estados Unidos, retração do mercado de luxo na China e ritmo mais lento na adoção da mobilidade elétrica como os principais desafios.

A estratégia muda de rumo: lançamentos elétricos serão adiados, enquanto modelos a combustão ganharão tempo extra de produção — mesmo com o plano europeu de proibir vendas de novos carros a gasolina e diesel a partir de 2035. Fabricantes têm pressionado autoridades por metas de emissões mais brandas, alegando inviabilidade no cronograma atual.

Em virada estratégica, a Porsche informou que uma nova família de utilitários esportivos, antes planejada como totalmente elétrica, estreará apenas com motores a combustão e híbridos plugáveis. Panamera e Cayenne continuarão com opções não elétricas bem dentro dos anos 2030.

Rivais de luxo como BMW e Mercedes-Benz também cortam custos para enfrentar a competição. Na China, guerra de preços derrubou o valor médio de carros em cerca de 19% nos últimos dois anos, para aproximadamente 165.000 yuans (o equivalente a cerca de 124.000 reais), um patamar que montadoras internacionais têm dificuldade em acompanhar.

O recuo das metas indica uma descompressão das ambições elétricas da Porsche — que apresentou o conceito Mission E há uma década — e evidencia que, por ora, o equilíbrio entre tradição e eletrificação será mais gradual do que o previsto.

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