A maior fabricante de veículos elétricos do mundo mostrou um raro sinal de vulnerabilidade. No terceiro trimestre de 2025, a BYD registrou queda de receita e lucro frente ao mesmo período de 2024.
A receita recuou 3,05%, para € 23,39 bilhões, e o lucro líquido encolheu 32,60%, para € 0,94 bilhão. Foi o segundo trimestre seguido de retração anual de lucro, com as vendas de veículos de nova energia (categoria chinesa que inclui elétricos a bateria e híbridos plugáveis) caindo 1,82%, para 1,11 milhão de unidades.
O recuo marca a primeira queda anual de vendas desde 2021 e reflete a guerra de preços na China, com rivais como a Geely lançando modelos agressivos. Descontos elevam o volume, mas apertam as margens.
Num horizonte de nove meses, porém, o quadro muda. De janeiro a setembro, a BYD quebrou recorde de receita, alta de 13% para € 67,86 bilhões. O lucro do 3º tri ficou abaixo do de 2024, mas subiu 23% contra o segundo trimestre, sinalizando reação. As vendas acumuladas cresceram 18,64%, a 3,26 milhões de veículos, colocando a empresa na rota do alvo anual de 4,6 milhões.
A estratégia passa por acelerar fora de casa. Nos nove primeiros meses, as exportações saltaram para 701,6 mil veículos, 132% acima de 2024. A marca já vende em 117 países e celebrou, em sua fábrica no Brasil, o 14º milhão de veículos de nova energia produzidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se cliente, ao receber um BYD Song Pro.
A ofensiva inclui mercados desafiadores. No Salão de Tóquio, a BYD revelou o Racco, minicarro urbano para o Japão, e apresentou o Sealion 6 DM-i, seu primeiro híbrido plugável para o país.
O fôlego tecnológico vem de um investimento maciço em pesquisa e desenvolvimento: € 5,24 bilhões de janeiro a setembro (+31%), acima do lucro líquido de € 2,80 bilhões no período. No acumulado histórico, a BYD já destinou € 26,38 bilhões a P&D, financiando sistemas como o God’s Eye (assistência ao motorista), já em 1,7 milhão de veículos. Com esse impulso, casas como o Citigroup mantêm visão positiva e projetam 4,67 milhões de vendas em 2025.
Em resumo, o tropeço do 3º trimestre parece ajuste tático: reduzir exposição à guerra de preços doméstica e impulsionar mercados externos de alto crescimento — sem tirar o pé do acelerador em tecnologia para veículos elétricos.

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