A Lamborghini vai manter motores a combustão por pelo menos 10 anos. Segundo o CEO Stephan Winkelmann, os clientes “ainda querem o som e a emoção” do motor tradicional, o que abre espaço para priorizar híbridos em vez de partir já para o veículo elétrico puro.
Durante entrevista em Londres, Winkelmann afirmou que o entusiasmo por veículos elétricos entre compradores de alta renda está em queda, criando oportunidade para híbridos plug-in. A decisão sobre o Lanzador — novo modelo planejado — sai no próximo mês: pode ser 100% elétrico ou híbrido plug-in.
A gama atual tem três pilares. Os superesportivos Temerario e Revuelto são híbridos plug-in (combinação de motor a gasolina e motores elétricos) e rodam apenas alguns quilômetros no modo elétrico. O Urus, SUV de luxo, é ofertado como híbrido plug-in e também a gasolina, respondendo por mais da metade das vendas. Há ainda a série limitada Fenomeno (30 unidades), com mais de 346 km/h de máxima e preço a partir de € 3 milhões antes de impostos.
Planos elétricos foram recalibrados. O sucessor 100% elétrico do Urus, antes cotado para 2029, foi arquivado; agora não é esperado antes de 2035. O Lanzador, um gran turismo (GT) de bateria, também está incerto — pode migrar para híbrido plug-in dependendo do “novo ambiente” de mercado.
A estratégia contrasta com a Ferrari, que avança para apresentar seu primeiro veículo elétrico, o Elettrica, no próximo ano, sem abrir mão de modelos a combustão e híbridos. Para Winkelmann, a Lamborghini não ignora emissões, mas sendo fabricante de baixo volume (cerca de 10 mil carros/ano), seu impacto global em CO₂ é limitado.
Regulação pesa no horizonte: União Europeia e Reino Unido planejam banir novas vendas de gasolina/diesel, inclusive híbridos plug-in, a partir de 2035. Há lobby por prazos mais longos na União Europeia e exceção britânica para marcas de baixo volume (menos de 2.500 carros/ano), regra que abrange a Lamborghini (795 unidades vendidas no país no ano passado).

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