Fim do crédito fiscal trava veículos elétricos nos Estados Unidos


As vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos bateram recordes recentes — 1,2 milhão no ano passado, cinco vezes mais que quatro anos antes, e 10% do total em agosto, segundo a S&P Global Mobility. Mas o fôlego pode acabar: analistas dizem que a corrida foi para aproveitar o crédito fiscal de 7.500 dólares, que expirou no fim de setembro. Sem o incentivo, montadoras já esperam uma queda de demanda.

Em teleconferências com investidores, General Motors, Ford, Tesla e outras reportaram trimestres recordes para elétricos — um ponto de luz num setor pressionado por juros altos, inflação, tarifas de importação e incertezas econômicas. Ainda assim, o alerta veio de cima: o presidente-executivo da Ford, Jim Farley, disse que o mercado será “menor do que imaginávamos”; o diretor financeiro da General Motors, Paul Jacobson, prevê “queda acentuada” da procura.

Mesmo com os avanços, os Estados Unidos seguem atrasados diante de outros mercados. No Reino Unido, elétricos a bateria e híbridos já foram quase 30% das vendas no ano passado, segundo a Agência Internacional de Energia. Na Europa, a fatia é cerca de um em cada cinco carros novos. Na China, quase metade das vendas já é de elétricos e híbridos recarregáveis — e a tendência é virar maioria.

Política pública explica parte do quadro. O governo Joe Biden mirou 50% de participação dos elétricos até 2030, apertou regras de emissões, ampliou o crédito de 7.500 dólares, financiou eletropostos e ofereceu empréstimos e subsídios à indústria. Já Donald Trump tem revogado medidas, defende eliminar o crédito e susta regras estaduais que baniriam carros só a gasolina até 2035.

Preço ainda é obstáculo. Segundo a Kelley Blue Book, o elétrico custou, em média, 57 mil dólares em agosto — 16% acima da média geral. Marcas chinesas de preço agressivo, como BYD, estão fora do mercado norte-americano por tarifas elevadas, apoiadas por governos de Biden e Trump. A Hyundai anunciou reduções para compensar o fim do crédito; a Tesla elevou aluguéis mensais de alguns modelos.

Para 2026, a S&P Global Mobility projeta queda de 2% nas vendas totais de carros nos Estados Unidos. Com novas tarifas sobre veículos e peças importadas e a retirada do incentivo, a consultora Stephanie Brinley prevê “um ano difícil”. Pesquisadores como Katherine Yusko, do American Security Project, falam em “golpe grande na indústria”, já que as subvenções nivelavam o campo de jogo; sem elas, o país tem terreno a recuperar.

Ainda há cautela sobre caminhos tecnológicos. Para Brinley, chamar os Estados Unidos de “atrasados” pressupõe que elétrico é a única melhor solução — algo que, diz ela, ainda é cedo para cravar.

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