A Noruega deve reduzir e extinguir benefícios para veículos elétricos nos próximos anos — sinal de que a virada elétrica por lá já aconteceu. Em setembro, 98,3% dos carros novos vendidos foram 100% elétricos (sem incluir híbridos plug-in). Enquanto isso, nos EUA, o fim do crédito fiscal federal de US$ 7.500 é visto como prematuro e pode frear a adoção.
Hoje, quem compra veículo elétrico na Noruega é isento de imposto de importação, taxa de rodagem, imposto de registro e do IVA (VAT) de 25% — um alívio que acelerou a substituição dos modelos a combustão. Segundo o governo, o objetivo de tornar elétricas todas as novas vendas a partir de 2025 foi atingido, e por isso “é hora de retirar os incentivos”, disse o ministro das Finanças, Jens Stoltenberg, citado pela Reuters.
Há, porém, mudanças graduais. Hoje, o IVA só é cobrado sobre a parte do preço que excede 500 mil coroas norueguesas (≈ US$ 49.600). Exemplo: se o carro custa 600 mil coroas, paga-se 25% apenas sobre as 100 mil que ultrapassam o limite — 25 mil coroas (≈ US$ 2.480). Um elétrico de 500 mil coroas fica isento dos 25%, economizando 125 mil coroas (≈ US$ 12.400) antes de outras isenções.
A proposta para o próximo ano é reduzir o teto de isenção total para 300 mil coroas (≈ US$ 29.800). Acima disso, o comprador pagará IVA integral sobre o excedente. Na prática, boa parte dos 10 modelos mais vendidos deixaria de se enquadrar, encarecendo o preço final.
O plano prevê eliminar completamente a isenção de IVA até 2027. Entidades pró-elétricos, como a Associação Norueguesa de Veículos Elétricos, criticam a medida: embora as novas vendas sejam quase todas elétricas, cerca de 70% da frota em circulação ainda usa combustível. Trocar todo esse estoque levará anos.
Nos Estados Unidos, o crédito federal de US$ 7.500 impulsionou compras e gerou pico em setembro, último mês de vigência; sem o incentivo, analistas preveem desaceleração. Já a Alemanha planeja reintroduzir um bônus de até € 4.000 em 2026, atrelado à renda do comprador — valor modesto para padrões europeus (há países com subsídios de até € 10.000, geralmente limitados a no máximo metade do valor do carro; em alguns lugares, como a Romênia, é preciso sucatear um veículo antigo).
A experiência norueguesa mostra que política pública consistente pode acelerar a adoção dos veículos elétricos. O desafio agora é retirar os incentivos sem travar o mercado — e sem interromper a renovação da frota.

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