Sete proprietários chineses abriram um processo contra a Tesla por causa da condução totalmente autônoma, acusando a montadora de não entregar os recursos prometidos. O caso foi aceito em agosto de 2025 pelo Tribunal Popular do Distrito de Daxing, em Pequim, e a defesa dos autores fala em prática comercial fraudulenta.
O impasse gira em torno de um pacote que, para muitos, não correspondeu ao nome ambicioso. Um dos autores, Liu Min, relata que pagou 56.000 yuans (cerca de 42.000 reais) pela condução totalmente autônoma em maio de 2020, influenciado por promessas do vendedor e declarações do CEO Elon Musk de que a “condução totalmente autônoma” chegaria “em breve” à China — e que o preço subiria.
Cinco anos depois, parte da promessa se cumpriu: a condução totalmente autônoma subiu para 64.000 yuans (aproximadamente R$ 48.406). A funcionalidade, não. Em 25 de fevereiro deste ano, a Tesla começou a liberar recursos urbanos limitados de condução autônoma no país, mas apenas para carros com hardware HW4.0. Modelos com HW3.0 — como o de Liu — ficaram de fora, sem prazo claro de atualização.
Ao pedir reembolso, os donos receberam negativa. Prints compartilhados pelos proprietários mostram a resposta direta da empresa: “Compras de condução assistida inteligente não são reembolsáveis.” Para os autores, eles pagaram a mais por um produto cujos recursos centrais estavam sempre “quase chegando” e agora bloqueados por hardware — um limite técnico que não teria sido informado.
A ação se apoia na Lei de Proteção dos Direitos do Consumidor da China. A defesa cita o Artigo 20, que exige informações verdadeiras e completas, e alega que a Tesla sabia que a condução totalmente autônoma não tinha aprovação regulatória no país e ocultou limitações técnicas. Com base no Artigo 55, os autores pedem reembolso integral da compra mais o triplo do valor em danos, penalidade prevista para casos de fraude.
É a primeira ação coletiva na China direcionada especificamente às promessas da condução totalmente autônoma e já inspira centenas de outros proprietários a consultar advogados. Independentemente do desfecho, o caso expõe um ponto sensível do mercado de veículos elétricos: a venda antecipada de funções de software “a entregar”. Onde termina a venda de uma visão de futuro e começa a oferta de um produto que não funciona como anunciado?

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