A Chery revelou em Wuhu, na China, seu primeiro protótipo de bateria totalmente em estado sólido, com densidade de 600 Wh/kg — número que, segundo a marca, pode levar veículos elétricos a 1.300 km de alcance real por carga. No cenário teórico, a fabricante fala em mais de 1.500 km.
A empresa afirma que a nova célula suportou testes extremos de segurança, como perfuração por prego e furo com furadeira, sem incêndio nem fumaça. O desenvolvimento é do Chery Solid-State Battery Research Institute, que usa eletrólito sólido polimerizado “in situ” e cátodo de manganês rico em lítio.
O cronograma está definido: operação-piloto em 2026 e escala mais ampla em 2027. A Chery quer saltar à frente de rivais domésticas como BYD e CATL, que também miram 2027 para lotes iniciais de baterias em estado sólido.
A corrida é global. As baterias de estado sólido prometem mais autonomia, recarga mais rápida e segurança superior às atuais íon-lítio com eletrólito líquido. A consultoria EVTank projeta 614 GWh de remessas até 2030 — mais de 10% do mercado, acima de € 29 bilhões.
O avanço vem em um ano forte para a Chery no exterior: em setembro, a empresa exportou 137.624 veículos, alta de 26,2% na base anual, marcando o quinto mês seguido acima de 100 mil unidades. No 1º semestre de 2025, a receita cresceu 26,3%; após o IPO em Hong Kong, 35% dos recursos foram destinados a P&D de veículos e 25% a tecnologias de próxima geração — mantendo a bateria sólida como prioridade estratégica.
O calcanhar de Aquiles segue sendo o custo: hoje, uma bateria totalmente em estado sólido pode custar 2,8 vezes uma célula com eletrólito líquido, por conta de materiais caros e baixo rendimento fabril. Universidades e empresas — como o grupo de Tsinghua, que mostrou célula de 604 Wh/kg — exibem prototipagem densa, mas a equação econômica ainda não foi resolvida.

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