A fabricante Leapmotor anunciou uma tecnologia que elimina a tradicional bateria de chumbo de 12 V (volts) nos carros. A novidade foi apresentada durante um evento da marca em sua fábrica na China e promete acabar com as falhas elétricas em manhãs frias.
Um veículo elétrico moderno possui energia suficiente para alimentar uma casa por três dias. No entanto, muitos motoristas ainda ficam na mão porque uma bateria pesada de 15 kg (quilogramas) com uma química muito antiga perde a carga antes do resto do carro.
Por 15 anos, as montadoras ignoraram esse problema. O mercado celebra a mobilidade limpa, mas ainda coloca uma bateria de chumbo antiquada debaixo do capô apenas para manter as luzes e as fechaduras funcionando.
Para resolver essa dor de cabeça, a empresa criou um sistema de bateria integrado ao chassi. A nova arquitetura elimina o módulo físico de 12 V por completo. Agora, as funções de baixa e alta voltagem compartilham o mesmo espaço e as mesmas células estruturais do veículo elétrico.
Baterias principais de alta voltagem são perigosas para microprocessadores delicados. Componentes como limpadores de para-brisa, aquecedores de assento e telas precisam de uma corrente contínua e baixa. A indústria inteira de peças é programada para esse padrão de 12 V, de 24 V em caminhões comerciais ou até 48 V em picapes mais pesadas.
Além disso, a bateria principal depende de contatos de segurança mecânicos que a desconectam quando o carro está estacionado ou desligado. Para religar o motor, é necessária uma fonte de energia independente para acionar os interruptores. Se a pequena bateria congela ou estraga, os contatos não fecham e o veículo simplesmente não liga.
A mudança desafia um mercado gigantesco e muito lucrativo. Cerca de 550 milhões de baterias pequenas são vendidas por ano no mundo. Eliminar essa necessidade poupa os motoristas de solicitar resgates e de realizar trocas a cada 3 a 4 anos. A fabricante garante que o novo sistema não exige manutenção durante toda a vida útil do automóvel.
A inovação faz parte de uma arquitetura inédita que chegará aos modelos de produção a partir do ano de 2027. O projeto consolidou o sistema de ar condicionado frontal junto com o motor. Isso reduziu o número de peças em 18% e a tubulação em 30%.
Essas mudanças na engenharia trazem muito mais conforto para os passageiros. O espaço útil da cabine aumentou 19%. Na parte da frente, o espaço para as pernas cresceu 37,5% graças a um novo arranjo das peças da suspensão, limpando a área dos pedais.
O assoalho plano combinado com um teto mais alto resulta em um ganho de quase 64% no espaço vertical. O interior foi pensado para ser um ambiente espaçoso, ideal para relaxar enquanto o software de direção autônoma de nível três assume o controle nas rodovias.
Há 10 anos, a empresa chinesa era apenas uma pequena curiosidade no mercado automotivo. Depois de provar a qualidade dos seus produtos com carros populares e familiares maiores, chamou a atenção da Stellantis. O grande grupo automotivo comprou 20% da fabricante e formou uma parceria para levar esses carros para o resto do mundo.

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