A fabricante de baterias CATL precisou suspender temporariamente as atividades de sua fábrica na Hungria. A paralisação ocorreu devido a riscos de segurança no trabalho relacionados à exposição de funcionários ao níquel. O caso deve atrasar o início da produção em massa da unidade.
O governo local informou no dia 31 de agosto que a empresa precisa corrigir todas as falhas de proteção antes de iniciar a fabricação. Atualmente, os órgãos reguladores permitem apenas testes de equipamentos no local.
O problema foi identificado e relatado de forma voluntária pela própria CATL. No início de agosto, a companhia encontrou níveis elevados de exposição ao níquel em nove funcionários durante exames de rotina, que haviam começado em junho.
Após o aviso, autoridades húngaras realizaram três inspeções entre 11 e 25 de agosto. Os agentes constataram a falta de equipamentos de proteção adequados em algumas áreas. Com isso, setores como os de secagem e corte a laser foram suspensos até que as correções sejam feitas.
A unidade na cidade de Debrecen é parte fundamental da estratégia da empresa na Europa. Em agosto de 2022, a CATL anunciou um investimento de 7,34 bilhões de euros no projeto, que terá capacidade de 100 gigawatts-hora por ano. Esta é a segunda fábrica da companhia no continente.
A área que monta os módulos das baterias já funciona desde o outono de 2024 em galpões alugados. A estrutura própria da empresa para essa finalidade começou a produzir em maio de 2026, com capacidade de 5 gigawatts-hora anuais.
Apesar disso, a linha principal ainda não entrou em operação comercial. A previsão original era iniciar essa etapa no segundo trimestre de 2026, mas a nova questão de segurança deve adiar o cronograma.
A primeira fase da fábrica conseguiu licença de produção em 25 de agosto, mas a fabricação real continua parada. Já o pedido para a segunda fase foi rejeitado em 19 de agosto porque alguns prédios concluídos não estavam marcados corretamente na planta do projeto.
O atraso afeta a cadeia de suprimentos do mercado automotivo europeu. A fábrica foi projetada para atender montadoras locais, como a Mercedes-Benz. Agora, a CATL precisará transferir baterias de outras unidades para garantir o abastecimento da montadora alemã, o que gera custos adicionais. A produção da BMW ainda não começou e não sofreu impactos.
O cenário ocorre em um momento de maior pressão regulatória na Hungria. Em 16 de agosto, o governo anunciou uma fiscalização mais rigorosa sobre projetos estratégicos. O programa removeu isenções de regras ambientais e urbanas para diversas empresas do setor, incluindo a CATL.
A companhia já havia recebido uma multa por problemas com licenças ambientais. Outras corporações chinesas também enfrentam o mesmo rigor no país europeu.
Em junho, uma fábrica da Semcorp foi paralisada após exames apontarem excesso de metais nos lençóis freáticos. A fabricante de veículos elétricos BYD também recebeu uma multa de 10 milhões de forints por questões ambientais no tratamento do solo de sua obra.

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