A agência de comunicações dos Estados Unidos bloqueou a autorização de novos inversores de energia conectados à internet que sejam fabricados no exterior. A medida, que entrou em vigor no dia 28 de julho, impede que modelos inéditos sejam importados, anunciados ou vendidos no país.
O alvo da restrição são os rádios de comunicação interna desses aparelhos, que utilizam redes sem fio ou de celular, e não a parte elétrica do equipamento. Aparelhos básicos e sem conexão remota continuam liberados para venda. A regra afeta qualquer inversor moderno usado em sistemas solares ou em baterias de armazenamento.
A medida foca na origem da fabricação e não na nacionalidade da empresa. Para escapar do bloqueio, o produto precisa ter mais de 65% de suas peças e sua montagem feitas em território americano. Uma marca local que monta seus produtos no Vietnã, por exemplo, está proibida de vender.
Modelos que já possuíam autorização do governo até a data de 28 de julho podem continuar sendo vendidos e instalados normalmente no mercado. Sistemas solares que já estão operando nos telhados das casas e em veículos recreativos não sofrem impacto com a nova regra.
Para aprovar um modelo novo e estrangeiro, o fabricante terá que pedir uma licença condicional ao governo americano até o dia 1 de janeiro de 2028. O complexo processo exige revelar a origem exata das peças usadas e apresentar um plano com prazos para abrir fábricas no país.
A decisão ocorreu após relatórios de maio de 2025 mostrarem que aparelhos chineses continham dispositivos de comunicação não documentados. Especialistas americanos relataram um caso grave em que o equipamento foi desligado remotamente a partir da China.
Esta é a quarta iniciativa do tipo feita pelo governo americano para bloquear tecnologias importadas. As proibições anteriores afetaram drones em dezembro de 2025 e roteadores de internet em março de 2026. A nova regra também se aplica a robôs aspiradores e cortadores de grama conectados com mais de 4,4 libras de peso.
Grandes projetos de energia solar não devem sofrer impacto imediato, pois as empresas desenvolvedoras possuem vastos estoques de produtos já certificados. O cenário é muito mais difícil para projetos pequenos e isolados da rede elétrica, que dependem quase totalmente de marcas que fabricam suas peças fora dos Estados Unidos.
Não existe uma indústria nacional pronta para suprir a falta imediata de marcas estrangeiras que vendem equipamentos menores. Uma pequena fábrica com 40 funcionários dificilmente conseguirá arcar com o peso da burocracia para obter a nova licença de um inversor de 3.000 watts e 12 volts, por exemplo.
Especialistas do mercado indicam que as empresas podem tentar enviar aparelhos sem conexão e deixar para os instaladores adicionarem os rádios aprovados depois. O governo também pode enfrentar sérias dificuldades para conseguir fiscalizar todas as vendas irregulares.
O mercado financeiro reagiu de imediato ao vazamento da nova regra, beneficiando as fabricantes que possuem estrutura local. As ações da Enphase tiveram alta de 17%, seguidas pela SolarEdge com alta de 11% e a Sunrun com cerca de 7%. No cenário atual, carregar uma marca americana importa menos do que realmente fabricar o produto dentro do país.

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