As vendas globais de veículos elétricos superaram a marca de dois milhões de unidades em junho de 2026. Apesar do número positivo, o mercado mundial vive realidades opostas. A Europa registra crescimento acelerado, enquanto a América do Norte perde espaço e a China volta sua atenção para as exportações.
Os dados são da empresa de pesquisa Benchmark Mineral Intelligence. O resultado de junho elevou o total de vendas no ano para 9,6 milhões de unidades. Isso representa um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado e um crescimento de 11% na comparação com o mês de maio. O restante do mundo também surpreende, com um salto de 98% nas vendas anuais.
A Europa se consolidou como o principal motor desse avanço. O continente teve seu melhor mês da história para os veículos elétricos em junho. As vendas subiram 28% em relação a maio e 31% na comparação anual. Países como França, Dinamarca, Espanha e Portugal bateram seus próprios recordes mensais.
O analista George Whitcombe explica que uma nova onda de carros pequenos e baratos está atraindo os europeus. Essa era uma peça que faltava para a transição energética na região. As montadoras finalmente começaram a oferecer modelos acessíveis que dão lucro, garantindo mais opções com preços menores aos consumidores.
Na França, os compradores preferem as marcas locais. A Renault conquistou uma fatia de 20% do mercado de veículos elétricos do país em junho. Quatro dos cinco modelos mais vendidos por lá são da marca. O novo Twingo já assumiu o terceiro lugar no ranking de vendas.
O Grupo Volkswagen também iniciou as entregas de sua nova linha popular em toda a Europa no mês de junho. A produção de modelos como o Volkswagen ID.Polo, o Cupra Raval e o Skoda Epiq já começou, oferecendo alternativas mais baratas.
O cenário na América do Norte é bem diferente. As vendas regionais de veículos elétricos caíram 20% neste ano. A queda é um reflexo direto do fim dos incentivos fiscais do governo dos Estados Unidos, cortados em setembro do ano passado. Embora as vendas americanas não tenham despencado totalmente, elas perderam muita força.
As montadoras Ford e GM registraram quedas ainda maiores que a média do mercado americano, o que faz as duas empresas repensarem suas estratégias.
No Canadá, a situação teve um marco importante. A Lotus enviou seus primeiros utilitários esportivos Eletre fabricados na China para o mercado canadense no início de julho. Um acordo de cotas permite a entrada de até 49.000 veículos elétricos chineses com uma taxa reduzida de 6,1%. Antes, o imposto era de 100%.
Na China, o mercado interno esfriou. As vendas de junho caíram 11% em relação ao ano anterior. No acumulado do ano, a queda chegou a 14%.
Por conta disso, os fabricantes chineses decidiram focar nas exportações. Eles enviaram quase 500.000 veículos de nova energia para o exterior em junho, marcando um novo recorde mensal.
A Europa continua sendo a maior oportunidade para os chineses. Como a União Europeia aumentou os impostos sobre os veículos elétricos a bateria da China em 2024, muitas montadoras mudaram o foco para os modelos híbridos recarregáveis na tomada.
Essa tática funcionou bem e as vendas desses carros continuam subindo na Europa. Esse cenário, no entanto, pode mudar se a Comissão Europeia decidir estender os impostos para esses veículos também.
O mercado global de 2026 mostra uma tendência clara que vem sendo acompanhada ao longo do ano. A Europa se distancia como o grande mercado de crescimento rápido. A China depende cada vez mais das exportações. Os Estados Unidos, por outro lado, pagam o preço por retirar os incentivos de compra.

0 Comentários